O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as articulações políticas para garantir a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, em sabatina marcada para quarta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
A estratégia do Palácio do Planalto passou a focar em negociações individuais com senadores, diante da resistência já consolidada de parte da oposição.
A articulação é liderada pelos senadores Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues, com apoio de ministros e integrantes da base aliada.
Entre os reforços, o ministro Wellington Dias deve deixar temporariamente a Esplanada para atuar diretamente na votação. O senador Camilo Santana também foi acionado para ajudar na interlocução com parlamentares.
Segundo aliados, Messias já se reuniu com ao menos 76 senadores — mais de 90% da Casa — em uma estratégia de convencimento “voto a voto”.
Parlamentares da oposição, como Rogério Marinho, Marcos Pontes e Eduardo Girão, articulam para barrar a indicação.
Girão já declarou voto contrário e sinalizou que temas ideológicos devem marcar a sabatina. A oposição questiona o perfil de atuação de Messias à frente da Advocacia-Geral da União.
Para ser aprovado, o indicado precisa de pelo menos 41 votos no plenário do Senado.
Apesar do otimismo do Planalto, o resultado ainda é tratado com cautela.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é considerado peça-chave no desfecho da votação.
Até o momento, ele não recebeu Messias para reunião, mas já indicou que não deve interferir diretamente contra a indicação.
Nos bastidores, o governo tenta obter um gesto público de Alcolumbre para reduzir riscos de surpresa na votação.
A sabatina na CCJ pode durar mais de dez horas. Se aprovado, o nome de Jorge Messias segue para votação no plenário do Senado.
O governo segue em campo até o último momento, tratando a indicação como uma das votações mais relevantes do ano no Congresso.