A Polícia Civil de Goiás indiciou a mãe e o padrasto das crianças envenenadas com “chumbinho” em Alto Horizonte, no norte do estado. O caso ocorreu em 27 de março e resultou na morte de uma menina de 9 anos e na internação do irmão, de 8, que sobreviveu.
Segundo o delegado do caso, o padrasto foi indiciado por feminicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio também qualificada. Ele está preso preventivamente desde o dia 2 de abril.
A investigação aponta que o veneno — identificado como terbufós — foi misturado ao arroz servido durante o jantar da família. Imagens de câmeras de segurança mostram que Ronaldo se levantou com o prato cheio de comida, o que levantou a suspeita de que ele não teria consumido o alimento contaminado, fato reforçado pelo exame toxicológico negativo.
Além disso, restos do arroz envenenado foram encontrados tanto na geladeira quanto no lixo da residência. Parte do material foi ingerida por gatos da vizinhança, que morreram após intoxicação.
A mãe das crianças também foi indiciada pelos mesmos crimes, mas por omissão imprópria, ou seja, por não ter agido para evitar o resultado.
De acordo com a polícia, o relacionamento do casal era marcado por conflitos frequentes, e a investigação concluiu que havia sinais de risco que poderiam ter evitado a tragédia. Apesar do indiciamento, a prisão da mãe não foi solicitada, já que não foram identificados elementos suficientes para a medida.
Segundo os depoimentos, o padrasto preparou arroz e feijão no dia do crime. A mãe afirmou que montou os pratos das crianças, mas apenas a comida delas estava contaminada — um ponto que ainda não foi completamente esclarecido pela investigação.
Após a refeição, a menina passou mal e morreu pouco depois. O irmão também apresentou sintomas graves, ficou internado por 11 dias e hoje está sob a guarda do pai biológico.
A defesa de Ronaldo afirmou que recebeu o indiciamento com serenidade e que confia no devido processo legal, destacando que não irá se manifestar sobre o mérito neste momento.