O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema intensificou a pressão contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Às vésperas da sabatina no Senado, marcada para esta quarta-feira (29), Zema cobrou publicamente que parlamentares votem contra o nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em declarações recentes, Zema afirmou que a indicação “não pode passar” e listou críticas ao perfil de Messias, citando suposta falta de independência, ativismo judicial e alinhamento político com o governo federal. Segundo ele, a decisão dos senadores será determinante para o cenário institucional do país.
A ofensiva contra a indicação também ganhou força entre aliados de Zema. O deputado Nikolas Ferreira publicou vídeos nas redes sociais criticando a escolha e classificando o Supremo como um espaço influenciado por interesses políticos. Ele afirmou que divulgará os votos dos senadores após a sabatina e chegou a alertar que parlamentares favoráveis à indicação poderiam sofrer desgaste eleitoral.
Outro nome que se posicionou contra foi o senador Carlos Viana, que declarou voto contrário à indicação. As críticas da oposição também envolvem temas sensíveis, como posicionamentos do indicado sobre pautas sociais e sua relação com o governo.
Durante a preparação para a sabatina, Messias buscou responder a parte dessas críticas. Em declarações recentes, afirmou ser contrário ao aborto, mas defendeu uma abordagem humanizada sobre o tema, destacando a complexidade do debate.
O processo de análise da indicação começa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar. Para ser aprovado nessa etapa, Messias precisa de maioria simples — ao menos 14 dos 27 votos.
Caso avance, a indicação segue para o plenário do Senado, onde será necessária maioria absoluta, com pelo menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores. Em ambas as votações, o voto é secreto.
A sabatina de Jorge Messias ocorre em meio a um cenário de forte disputa política, com articulações intensas tanto do governo quanto da oposição. O resultado deve indicar não apenas o futuro do indicado no STF, mas também o equilíbrio de forças no Congresso em relação às nomeações para a Suprema Corte.