A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (29), uma operação que tem como alvos o rapper Oruam e integrantes de sua família, no âmbito de uma investigação que busca desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho. A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e cumpre mandados em diferentes pontos do estado.
Entre os investigados estão o pai do artista, Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças da facção, a mãe, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, e o irmão, Lucas Santos Nepomuceno.
Oruam está foragido desde fevereiro, após descumprir medidas judiciais relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica, conforme a Justiça estadual. Seu advogado informou que só deve se manifestar após ter acesso ao processo.
Durante a operação, agentes estiveram em endereços ligados aos investigados em bairros como Jacarepaguá e Barra da Tijuca, além de uma residência em Angra dos Reis. Até o início da manhã, um dos suspeitos apontados como operador financeiro da organização havia sido preso.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação identificou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, baseado na análise de dados telemáticos, movimentações financeiras e conteúdos extraídos de dispositivos eletrônicos.
Segundo os investigadores, o grupo operava com uma rede organizada para receber recursos oriundos do tráfico de drogas, fragmentar os valores e reinseri-los no sistema financeiro formal. O dinheiro era distribuído entre operadores financeiros, que utilizavam contas de terceiros, aquisição de bens e transações sucessivas para dificultar o rastreamento.
A apuração também identificou movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos, além de indícios de uso de empresas para ocultação de patrimônio.
Conversas interceptadas indicariam ainda a influência contínua de Marcinho VP na estrutura da organização, mesmo cumprindo pena no sistema penitenciário federal. Ele está preso desde 1996 e possui condenações que somam mais de 55 anos de reclusão.
Oruam já havia sido preso em 2025, após se tornar réu por tentativa de homicídio contra agentes da Polícia Civil. Ele permaneceu detido por 69 dias e passou a utilizar tornozeleira eletrônica após deixar a prisão. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, o equipamento registrou dezenas de violações por falta de carregamento.
A defesa dos investigados afirma que ainda busca acesso aos autos para se posicionar oficialmente. Advogados de familiares citados na operação destacaram que algumas acusações já foram analisadas anteriormente pela Justiça e negam irregularidades.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros envolvidos e mapear toda a extensão da estrutura financeira ligada à facção criminosa.