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Oruam e familiares são alvo de operação contra o Comando Vermelho
Polícia Civil investiga estrutura financeira da facção e aponta ligação de Oruam com esquema de lavagem de dinheiro; artista está foragido desde fevereiro
29/04/2026 14h44
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (29), uma operação que tem como alvos o rapper Oruam e integrantes de sua família, no âmbito de uma investigação que busca desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho. A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e cumpre mandados em diferentes pontos do estado.

Entre os investigados estão o pai do artista, Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças da facção, a mãe, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, e o irmão, Lucas Santos Nepomuceno.

Oruam está foragido desde fevereiro, após descumprir medidas judiciais relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica, conforme a Justiça estadual. Seu advogado informou que só deve se manifestar após ter acesso ao processo.

Durante a operação, agentes estiveram em endereços ligados aos investigados em bairros como Jacarepaguá e Barra da Tijuca, além de uma residência em Angra dos Reis. Até o início da manhã, um dos suspeitos apontados como operador financeiro da organização havia sido preso.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação identificou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, baseado na análise de dados telemáticos, movimentações financeiras e conteúdos extraídos de dispositivos eletrônicos.

Estrutura financeira da organização

Segundo os investigadores, o grupo operava com uma rede organizada para receber recursos oriundos do tráfico de drogas, fragmentar os valores e reinseri-los no sistema financeiro formal. O dinheiro era distribuído entre operadores financeiros, que utilizavam contas de terceiros, aquisição de bens e transações sucessivas para dificultar o rastreamento.

A apuração também identificou movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos, além de indícios de uso de empresas para ocultação de patrimônio.

Conversas interceptadas indicariam ainda a influência contínua de Marcinho VP na estrutura da organização, mesmo cumprindo pena no sistema penitenciário federal. Ele está preso desde 1996 e possui condenações que somam mais de 55 anos de reclusão.

Histórico e defesa

Oruam já havia sido preso em 2025, após se tornar réu por tentativa de homicídio contra agentes da Polícia Civil. Ele permaneceu detido por 69 dias e passou a utilizar tornozeleira eletrônica após deixar a prisão. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, o equipamento registrou dezenas de violações por falta de carregamento.

A defesa dos investigados afirma que ainda busca acesso aos autos para se posicionar oficialmente. Advogados de familiares citados na operação destacaram que algumas acusações já foram analisadas anteriormente pela Justiça e negam irregularidades.

A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros envolvidos e mapear toda a extensão da estrutura financeira ligada à facção criminosa.