Um empresário goiano foi preso em uma operação da Polícia Civil de São Paulo suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, Adair Antônio de Freitas Meira, de 63 anos, teria ocultado milhões de reais por meio de entidades sem fins lucrativos, empresas e uma fintech utilizada pela organização criminosa.
De acordo com relatório policial que embasou a decisão judicial, movimentações financeiras atribuídas ao empresário e a instituições ligadas a ele somam cerca de R$ 34 milhões. Entre as estruturas citadas estão a Fundação Pró-Cerrado, da qual ele é presidente, e outras organizações e empresas nas áreas de educação e comunicação.
A apuração aponta que o esquema envolvia a fintech 4TBank, criada por João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como integrante do PCC. Segundo a polícia, boletos eram emitidos pela plataforma e pagos por empresas e entidades ligadas ao empresário. Após a entrada dos valores no sistema, o dinheiro era sacado em espécie e repassado a pessoas de confiança de Adair.
Ainda conforme o relatório, o operador cobrava uma taxa de 5% sobre as transações. Há indícios de que os valores eram entregues em hotéis na capital paulista e até transportados por aeronaves fretadas para outras cidades, como Brasília e Palmas.
Conversas obtidas pela polícia indicam pedidos de transferências milionárias em benefício do empresário, tratado como “Tio” nas mensagens. Em um dos diálogos, há menção a valores de até R$ 3 milhões.
Os investigadores também identificaram transações cruzadas entre organizações vinculadas ao empresário, sem justificativa operacional aparente. Segundo a polícia, esse tipo de movimentação teria como objetivo dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Em apenas uma conta bancária analisada, foram detectadas movimentações de cerca de R$ 29,3 milhões entre 2023 e 2024. Parte dessas operações é considerada suspeita de fraude e dissimulação financeira.
A Polícia Civil afirma que o empresário integra uma organização criminosa responsável por movimentar recursos, parte deles oriundos do tráfico de drogas. Ao todo, seis pessoas tiveram prisão temporária decretada, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em Goiás e São Paulo.
Em nota, a defesa de Adair Meira afirmou que teve acesso ao inquérito apenas recentemente e que contesta “de forma veemente” qualquer ligação com organizações criminosas. Os advogados também destacaram que irão colaborar com as investigações e que os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo.
A Fundação Sagres, citada no relatório, informou que confia na apuração das autoridades e reiterou seu compromisso com atividades voltadas à educação, cultura e comunicação.
O caso segue sob investigação da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, responsável pela operação.