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Messias avança: veja o que acontece depois da sabatina
Indicado de Lula é aprovado por 16 a 11 na comissão após forte articulação política; nome segue para o plenário, onde precisa de pelo menos 41 votos
29/04/2026 18h17
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (29), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O placar foi de 16 votos favoráveis e 11 contrários, após uma sabatina que durou mais de oito horas.

Com a aprovação, o nome segue agora para o plenário do Senado, onde precisará de ao menos 41 votos para ser confirmado. Caso aprovado, Messias ocupará a vaga deixada com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

A votação na comissão expôs um cenário de apoio, mas sem ampla margem. Apesar da vitória, o governo enfrentou dificuldades para consolidar votos, o que mantém a necessidade de articulação até a etapa final.

Sabatina longa e embates sobre temas sensíveis

Durante a sabatina, Messias adotou um discurso de equilíbrio institucional e fez acenos a diferentes setores. Em sua fala inicial, destacou sua fé cristã, mas reforçou a defesa do Estado laico.

“É possível interpretar a Constituição com fé e não pela fé”, afirmou. Segundo ele, a laicidade garante o respeito entre religiões e o Estado.

O indicado também foi questionado sobre temas sensíveis, como aborto, ativismo judicial e os atos de 8 de janeiro de 2023. Declarou ser “totalmente contra” o aborto, mas defendeu um olhar humanizado nos casos previstos em lei. Sobre o Supremo, afirmou que a Corte não deve atuar como uma “terceira Casa legislativa” nem como “Procon da política”.

Em resposta ao senador Flávio Bolsonaro, classificou os atos de 8 de janeiro como um dos episódios “mais tristes” da história do país e disse que sua atuação foi técnica e constitucional.

Com cerca de oito horas de duração, a sabatina de Messias ficou dentro da média recente das indicações ao STF. Entre os atuais ministros, sessões mais longas foram registradas nos casos de Edson Fachin e Alexandre de Moraes, ambos com mais de 11 horas de questionamentos.

Articulação política garantiu avanço, mas cenário segue apertado

A aprovação na CCJ foi resultado de uma articulação política intensificada nos dias anteriores. O movimento começou após conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que sinalizou não atuar contra a indicação, desde que houvesse diálogo com os senadores.

A partir disso, o governo ampliou a ofensiva, com atuação dos líderes Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues, além do envolvimento de Rodrigo Pacheco na reorganização do ambiente político.

No STF, o nome de Messias enfrentou baixa resistência. Ministros como Cristiano Zanin e Kassio Nunes Marques se posicionaram favoravelmente, enquanto André Mendonça atuou como interlocutor junto a setores conservadores.

Outro eixo importante foi o apoio de lideranças evangélicas, com atuação de nomes como Estevam Hernandes e César Augusto, além da interlocução da senadora Eliziane Gama. O pastor Silas Malafaia, por sua vez, evitou fazer oposição pública.

A projeção entre aliados gira em torno de 48 votos favoráveis no plenário — margem considerada suficiente, mas ainda próxima do mínimo necessário. A votação será secreta, o que aumenta a incerteza sobre o resultado final.

Agora, o governo mantém a mobilização para garantir a confirmação de Messias no Supremo, em um cenário que segue competitivo e politicamente sensível.