O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se pronunciou publicamente sobre a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, aprovada pelo Senado na quarta-feira (29). Um dia após a votação, o Planalto manteve silêncio, e o tema não foi citado nem mesmo durante evento oficial realizado nesta quinta-feira (30).
A derrota é considerada histórica: é a primeira vez em mais de um século que um indicado ao Supremo é rejeitado pelo Senado. Messias recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis em votação secreta no plenário.
Após o resultado, uma imagem falsa de Messias chorando viralizou nas redes sociais. A foto original, feita pelo Metrópoles, mostrava o advogado-geral da União dentro de um carro, usando o celular ao lado da esposa. A versão manipulada por inteligência artificial alterou a cena e gerou desinformação.
Quem comentou o resultado foi o ex-ministro e atual titular da Fazenda, Fernando Haddad, que classificou a rejeição como um episódio de “gosto amargo”. Segundo ele, o advogado-geral da União teria condições de contribuir com o combate à corrupção dentro do STF.
Haddad afirmou que a decisão foi “incompreensível” e destacou a atuação de Messias em casos recentes envolvendo investigações relevantes, como no INSS e no setor financeiro. Para ele, a rejeição representa uma perda institucional.
Apesar disso, o ministro avaliou que o presidente Lula tende a sair politicamente fortalecido, citando episódios anteriores de embates com o Congresso. Ainda assim, ponderou que não há vencedores no episódio e que a decisão pode enfraquecer a Presidência da República.
Do outro lado, parlamentares da oposição comemoraram o resultado. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que a rejeição evita o que chamou de “aparelhamento” do Supremo e disse que o presidente Lula perdeu completamente a governabilidade.
Já Sergio Moro defendeu a necessidade de uma Corte independente do Executivo.
A decisão também abre espaço para disputas políticas sobre futuras indicações ao STF. Há expectativa de que a vaga permaneça aberta até a próxima eleição presidencial, o que pode alterar o equilíbrio de forças dentro da Corte nos próximos anos.
Atualmente, o Supremo conta com ministros indicados por diferentes governos, e novas nomeações previstas até o fim da década podem influenciar diretamente a composição do tribunal.