A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa na madrugada desta quinta-feira (7), em Teresina, no Piauí, suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida de 19 anos no Maranhão.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, Carolina tentava fugir quando foi localizada pelas equipes policiais. A prisão preventiva havia sido decretada pela Justiça maranhense na noite anterior, após pedido da Polícia Civil.
A defesa da empresária nega que ela estivesse foragida. A advogada Nathaly Moraes Silva afirmou que Carolina pretendia se apresentar espontaneamente em Teresina, onde possui familiares, após receber ameaças em razão da repercussão do caso.
A defensora também afirmou que a cliente admite as agressões, mas nega o crime de tortura. Segundo ela, Carolina teria exagerado nos áudios enviados a grupos de mensagens após o episódio.
O caso aconteceu em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís. A vítima trabalhava havia cerca de 15 dias na casa da empresária quando foi acusada de furtar um anel.
Segundo a investigação, as agressões ocorreram no dia 17 e envolveram tapas, murros, puxões de cabelo, chutes e ameaças com arma de fogo.
Em depoimento, a jovem contou que chegou a proteger a barriga durante as agressões por estar grávida. Exames realizados no Instituto Médico Legal confirmaram os hematomas e lesões.
Os investigadores anexaram ao inquérito áudios enviados pela própria empresária em grupos de mensagens. Nas gravações, Carolina relata detalhes das agressões e afirma que contou com ajuda de um homem armado.
“Quase uma hora essa menina no massacre”, diz um dos trechos obtidos pela investigação.
Segundo a polícia, mesmo após o anel ser encontrado dentro de um cesto de roupas, as agressões continuaram.
A empresária também afirmou nos áudios que um policial militar conhecido teria evitado sua condução imediata à delegacia. Um PM citado nas denúncias acabou preso em São Luís e passou a ser investigado pela Corregedoria da corporação.
Na decisão que decretou a prisão preventiva, a Justiça destacou a gravidade do caso e apontou indícios de violência física reiterada, intensa violência psicológica, ameaças de morte e restrição da capacidade de defesa da vítima.
O delegado responsável pelo caso, Walter Wanderley, afirmou que os áudios reforçam a materialidade das agressões.
“Não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar”, declarou o investigador.
Além da prisão, a Justiça autorizou busca e apreensão na residência da empresária e a extração de dados de aparelhos eletrônicos ligados a ela.
A defesa informou que deve pedir prisão domiciliar para Carolina Sthela nos próximos dias.