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Desigualdade sobe no Brasil e renda sobe para mais ricos
IBGE aponta aumento do índice de Gini em 2025; renda cresceu para todas as classes, mas avanço foi maior entre os mais ricos
08/05/2026 14h57
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A desigualdade de renda voltou a subir no Brasil em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar do aumento, o índice registrado no ano passado ainda é o segundo menor da série histórica iniciada em 2012.

O Índice de Gini, utilizado para medir a concentração de renda no país, passou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade social.

Segundo o IBGE, a renda cresceu para todas as classes sociais no período, mas o avanço foi mais acelerado entre os mais ricos. Isso acabou ampliando novamente a diferença entre o topo e a base da pirâmide social.

Ricos tiveram crescimento maior de renda

A renda média domiciliar por pessoa no Brasil chegou a R$ 2.264 por mês em 2025, alta de 6,9% em relação ao ano anterior e novo recorde da série histórica.

Entre os 10% mais ricos da população, o rendimento médio alcançou R$ 9.117 mensais, crescimento de 8,7%. Já entre os 10% mais pobres, a renda subiu 3,1%, chegando a R$ 268 por pessoa.

Especialistas ouvidos pelo IBGE afirmam que o cenário não representa piora absoluta para os mais pobres, já que houve crescimento geral da renda. O problema, segundo os economistas, é que os ganhos dos mais ricos cresceram em ritmo mais acelerado.

O levantamento também mostra que programas sociais tiveram impacto menor em 2025. Benefícios como Bolsa Família e BPC permaneceram praticamente estáveis, enquanto o mercado de trabalho e rendimentos financeiros puxaram a alta da renda nacional.

Ganhos com aluguel e aplicações financeiras também cresceram no período, favorecidos pelo cenário de juros elevados.

Endividamento e custo de vida seguem pressionando famílias

Mesmo com desemprego em baixa e renda média maior, o endividamento das famílias brasileiras continua em níveis recordes.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,9% das famílias estavam endividadas em abril de 2025, o maior índice da série histórica. A inadimplência também segue elevada, atingindo 29,6% das famílias.

Economistas apontam que o aumento do custo de vida, principalmente dos alimentos, transporte, moradia e crédito, continua pressionando o orçamento dos brasileiros.

A taxa básica de juros do país, a Selic, chegou a 15% ao ano em junho de 2025, o maior patamar desde 2006. Com isso, financiamentos, cartões de crédito e empréstimos ficaram mais caros.

Segundo especialistas, muitas famílias continuam utilizando crédito para sustentar o consumo diário, o que dificulta a recuperação financeira mesmo em um cenário de emprego mais aquecido.

Dados de pesquisas recentes mostram ainda que 71% dos brasileiros afirmam conseguir comprar menos hoje do que há um ano, principalmente por causa da inflação dos alimentos e do aumento das despesas básicas.

Centro-Oeste lidera desigualdade regional

Pela primeira vez, o Centro-Oeste registrou a maior desigualdade regional do país. O destaque ficou para o Distrito Federal, que voltou a apresentar a maior renda média per capita do Brasil, com R$ 4.401 mensais, mas também o maior índice de desigualdade, com Gini de 0,570.

O Rio de Janeiro aparece logo atrás no ranking de concentração de renda. Já Santa Catarina teve o menor nível de desigualdade entre os estados pesquisados.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva tem apostado na redução da pobreza e no crescimento da renda como uma das principais vitrines econômicas do terceiro mandato. Nesta semana, o Palácio do Planalto lançou a segunda edição do programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas das famílias.

A expectativa do governo é renegociar até R$ 58 bilhões em dívidas e alcançar cerca de 20 milhões de brasileiros.