A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou o recolhimento de diversos produtos da Ypê após identificar falhas nos processos de fabricação da empresa. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (7) e envolve detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos na unidade de Amparo, no interior de São Paulo.
Segundo a Anvisa, a decisão levou em consideração novas irregularidades encontradas durante inspeções realizadas em 2026 e o histórico de contaminação microbiológica registrado na fábrica em novembro de 2025, quando foi detectada a bactéria Pseudomonas aeruginosa.
A agência informou que encontrou fragilidades nos processos de limpeza, sanitização, controle microbiológico e rastreabilidade da produção, fatores que podem aumentar o risco de contaminação dos produtos saneantes.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa é considerada oportunista e pode provocar desde infecções leves até quadros graves, especialmente em pessoas com imunidade baixa.
Segundo informações do Manual MSD, referência médica internacional, ela é encontrada em ambientes úmidos, como água, solo, pias, piscinas mal higienizadas e superfícies contaminadas.
Entre os problemas de saúde associados à bactéria estão infecções de pele, ouvido, olhos, pulmões, trato urinário e corrente sanguínea. Em casos mais graves, pode causar pneumonia hospitalar, choque infeccioso e até risco de morte.
A contaminação também preocupa pelo fato de algumas cepas apresentarem resistência a antibióticos, o que dificulta o tratamento.
A Anvisa não informou se houve registro de consumidores contaminados pelos produtos da Ypê até o momento.
Segundo a Anvisa, apenas produtos com lote terminado em número 1 devem ser recolhidos. A orientação é interromper imediatamente o uso e procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para orientações sobre devolução.
O número do lote pode ser localizado na embalagem, geralmente na base do produto, próximo à tampa ou abaixo do rótulo.
Após o anúncio do recolhimento, consumidores relataram dificuldades para entrar em contato com o SAC da empresa, incluindo falhas em ligações telefônicas e ausência de retorno nos canais digitais.
As vigilâncias sanitárias estaduais e municipais também foram orientadas a fiscalizar os estabelecimentos para impedir a venda dos lotes afetados.
A medida vale apenas para os lotes com final 1 dos seguintes produtos: