O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao Brasil nesta sexta-feira (8) após uma reunião de mais de três horas com Donald Trump na Casa Branca. O principal resultado do encontro, segundo integrantes do governo brasileiro, foi a consolidação da reaproximação diplomática entre os dois países.
A reunião tratou de temas considerados estratégicos para Brasília e Washington, como tarifas comerciais, combate ao crime organizado, minerais críticos, terras raras e investimentos. Questões internacionais, incluindo a situação do Irã e de Cuba, também entraram na pauta.
Após o encontro, Lula classificou a conversa como positiva e afirmou que Brasil e Estados Unidos deram um “passo importante” para fortalecer a relação bilateral.
Um dos principais objetivos do governo brasileiro era reduzir tensões comerciais e evitar novas sanções americanas sobre produtos brasileiros.
Segundo Lula, Brasil e Estados Unidos concordaram em dar prazo de 30 dias para que as equipes técnicas avancem nas negociações sobre tarifas e disputas comerciais.
O governo brasileiro também tenta encerrar uma investigação aberta pelos EUA com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio americana, que questiona temas como Pix, etanol, desmatamento ilegal e propriedade intelectual.
O presidente afirmou que Trump não abordou diretamente o Pix durante a reunião e disse acreditar que as divergências poderão ser resolvidas por meio do diálogo.
Lula também cobrou maior participação de empresas americanas em investimentos e licitações internacionais no Brasil.
Outro ponto tratado entre os líderes foi o combate ao crime organizado na América Latina.
Após a reunião, Lula anunciou que o governo federal lançará na próxima semana o programa “Brasil contra o crime organizado”, voltado ao enfrentamento de facções, tráfico internacional de drogas e armas e lavagem de dinheiro.
Segundo o presidente, os Estados Unidos foram convidados a participar de grupos de cooperação com países da América do Sul.
O governo brasileiro, no entanto, reafirmou que não apoia a classificação de facções como PCC e CV como organizações terroristas, proposta que vem sendo analisada por autoridades americanas.
A reunião também abriu espaço para negociações envolvendo minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a indústria tecnológica global.
Lula afirmou que o Brasil pretende ampliar parcerias internacionais no setor, mas defendeu que o país mantenha controle sobre a cadeia de produção e beneficiamento desses minerais.
A reunião ocorreu de forma reservada e sem presença inicial da imprensa, após pedido do próprio Lula para alterar o protocolo tradicional da Casa Branca.
Diferentemente do habitual, não houve coletiva conjunta no Salão Oval. Após o encontro, o presidente brasileiro falou separadamente com jornalistas na embaixada do Brasil em Washington.
Nas redes sociais, Trump chamou Lula de “o dinâmico presidente do Brasil” e afirmou que a reunião foi “muito produtiva”.
Lula também elogiou o republicano e disse que a relação entre os dois surpreendeu pela rapidez da aproximação.
“A nossa relação é muito boa, uma relação que pouca gente acreditaria que pudesse acontecer com tanta rapidez”, afirmou o presidente brasileiro.