O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve editar ainda nesta quarta-feira (13/5) uma medida provisória para tentar conter o aumento no preço da gasolina no país. A informação foi divulgada após a Petrobras sinalizar que os combustíveis devem subir nas refinarias nos próximos dias.
A movimentação ocorre em meio à pressão internacional provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, que elevou os preços do petróleo no mercado global e aumentou a preocupação do governo com impactos na inflação e no desgaste político da gestão federal.
Na terça-feira (12), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o reajuste nos preços da gasolina deve acontecer “já, já”. A declaração foi dada durante conferência com analistas sobre os resultados financeiros da estatal, que registrou lucro de R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
Segundo Chambriard, a Petrobras aguardava a aprovação, pelo Congresso Nacional, de uma proposta que permitiria ao governo usar parte das receitas obtidas com exportação de petróleo para subsidiar os combustíveis durante o período de guerra.
“Vai acontecer já, já um aumento de preço da gasolina”, declarou a presidente da estatal.
Inicialmente, o governo trabalhava com um Projeto de Lei Complementar (PLP) para reduzir tributos federais sobre os combustíveis e compensar as perdas com receitas extras do setor petrolífero. O texto foi apresentado à Câmara dos Deputados em abril e tramita em regime de urgência, mas ainda não foi aprovado.
Diante da demora no Congresso, o Palácio do Planalto decidiu migrar para uma medida provisória, que passa a valer imediatamente após ser assinada pelo presidente da República.
A intenção do governo é impedir que o aumento anunciado pela Petrobras chegue integralmente ao consumidor final, reduzindo impostos federais para amortecer o impacto nos postos.
A crise internacional envolvendo o Oriente Médio vem pressionando fortemente o preço do barril de petróleo. Nas últimas semanas, confrontos entre Estados Unidos e Irã provocaram tensão no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do petróleo mundial.
O bloqueio parcial da região elevou os custos internacionais da commodity e reacendeu preocupações com inflação global e aumento dos combustíveis.
Nos bastidores, auxiliares do governo avaliam que conter a alta da gasolina se tornou prioridade política para Lula em meio à tentativa de recuperação de popularidade visando as eleições de 2026.
Na terça-feira, o governo também anunciou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, zerando o imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida foi interpretada como mais uma tentativa de reduzir desgaste popular relacionado ao custo de vida.
Outro movimento recente do Planalto foi o lançamento de uma nova versão do programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas.
A equipe do governo avalia que o alto endividamento das famílias e a inflação seguem entre os principais fatores que afetam a aprovação do presidente.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra Lula com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que aparece com 41%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
O levantamento também aponta leve melhora na avaliação do governo. A avaliação negativa oscilou de 42% para 39%, enquanto a positiva passou de 31% para 34%.
A expectativa agora é sobre o conteúdo da medida provisória e o tamanho da redução tributária que será aplicada para tentar conter a pressão sobre os combustíveis.