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Trump chega à China para reunião decisiva com Xi Jinping
Guerra no Irã, Taiwan, comércio e inteligência artificial estão entre os principais temas da visita do presidente dos EUA à China
13/05/2026 17h33
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarcou em Pequim por volta das 9h desta quarta-feira (13/5), no horário de Brasília, para uma série de encontros com o presidente chinês Xi Jinping.

A visita marca o primeiro encontro presencial entre os dois líderes desde outubro de 2025, quando participaram de reuniões na Coreia do Sul. A última viagem de Trump à China havia ocorrido ainda em 2017, durante o primeiro mandato do republicano.

Trump chegou acompanhado por empresários de peso do setor de tecnologia e indústria norte-americana, entre eles Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX; Tim Cook; e Kelly Ortberg, executivo ligado à Boeing.

A presença da comitiva reforça a expectativa de que tecnologia, inteligência artificial, comércio internacional e cadeias produtivas estejam entre os principais temas das negociações bilaterais.

Guerra no Irã e Taiwan devem dominar reuniões

A viagem acontece em meio ao agravamento da crise envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além da escalada de tensões no Estreito de Ormuz, principal rota marítima do petróleo mundial.

Antes de embarcar para a China, Trump afirmou que pretende discutir diretamente com Xi Jinping a guerra no Irã e a situação no Oriente Médio.

A China é atualmente a principal parceira comercial do Irã e depende diretamente do petróleo transportado pela região do Golfo Pérsico, o que aumenta o interesse chinês em uma solução diplomática para o conflito.

Outro tema considerado central é Taiwan.

Durante entrevista na Casa Branca, Trump confirmou que pretende discutir com Xi Jinping a venda de armas norte-americanas para Taiwan, ilha governada de forma autônoma desde 1949 e reivindicada pelo governo chinês.

“Vou ter essa discussão com o presidente Xi. O presidente Xi gostaria que não o fizéssemos [a venda de armas], e vou ter essa conversa”, declarou Trump.

Antes da chegada do presidente norte-americano, a embaixada chinesa nos EUA classificou Taiwan como a principal “linha vermelha” nas relações entre os dois países.

Trump chega pressionado internamente

A visita também ocorre em um momento de pressão política interna sobre o presidente norte-americano.

Segundo pesquisa Atlas/Intel divulgada neste mês, a desaprovação de Trump chegou a 59,8%, enquanto 62,8% dos entrevistados avaliam que as políticas econômicas pioraram a economia dos Estados Unidos.

Analistas avaliam que a viagem tem como objetivo tentar estabilizar a relação entre Washington e Pequim, principalmente após meses de tensões comerciais, disputas tarifárias e conflitos geopolíticos.

Além disso, os dois governos devem discutir a possível ampliação da trégua comercial firmada no ano passado entre as duas maiores economias do planeta.

Agenda completa da visita de Trump à China

(horário de Brasília)

Inteligência artificial e minerais estratégicos entram na pauta

A expectativa é de que inteligência artificial, exportação de semicondutores e minerais de terras raras também estejam entre os assuntos discutidos.

Os minerais estratégicos são considerados fundamentais para setores como defesa, tecnologia, carros elétricos e produção de chips.

Segundo especialistas, os dois governos tentam evitar uma nova escalada de tensão econômica enquanto mantêm disputas estratégicas em áreas consideradas sensíveis.

Mesmo com divergências envolvendo Taiwan, guerra no Irã e comércio internacional, a avaliação é de que os dois lados buscam reduzir instabilidades e preservar canais de negociação entre Washington e Pequim.