A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (14) a sexta fase da Operação Compliance Zero e prendeu Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.
A nova etapa da investigação mira uma suposta estrutura paralela de espionagem, intimidação e invasão de sistemas ligada ao grupo investigado no caso do Banco Master.
Segundo a PF, Henrique Vorcaro atuava como operador financeiro e articulador de um dos núcleos investigados, conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por ações de monitoramento clandestino, vazamento de informações sigilosas e coerção contra desafetos do banqueiro.
Entre os presos estão policiais federais, ex-policiais e operadores apontados pela investigação como integrantes de uma rede clandestina que atuaria em favor dos interesses de Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, os grupos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos” teriam funções diferentes dentro da organização.
“A Turma” seria responsável por intimidação física, vigilância e obtenção ilegal de informações sigilosas.
Já “Os Meninos” atuariam na parte tecnológica, com invasões telemáticas, monitoramento clandestino, derrubada de perfis digitais e ataques cibernéticos.
Os investigados podem responder por organização criminosa, corrupção, ameaça, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
A investigação também levou ao afastamento da delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva, suspeita de repassar informações sigilosas ao grupo investigado.
Segundo a PF, ela acessou sem autorização um inquérito conduzido pela Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo, mesmo estando lotada em Minas Gerais e sem relação funcional com a investigação.
Os investigadores afirmam que as informações teriam sido compartilhadas com operadores ligados à família Vorcaro.
O marido da delegada, o policial federal aposentado Francisco José Pereira da Silva, também é investigado e teria atuado como intermediador para reduzir rastros da participação dela.
Na decisão que autorizou as prisões, o ministro André Mendonça afirmou que a investigação identificou conexões entre integrantes do esquema e operadores do jogo do bicho e milicianos no Rio de Janeiro.
Um dos alvos da operação é Manoel Mendes Rodrigues, apontado pela PF como chefe de um braço operacional do grupo no estado.
Segundo os investigadores, ele disponibilizava “mão de obra intimidatória” e presença física para pressionar alvos considerados ameaças aos interesses da organização.
A decisão cita ainda um episódio ocorrido em junho de 2024, em Angra dos Reis, quando integrantes do grupo teriam intimidado ex-funcionários ligados ao empresário.
Segundo relatos reunidos pela PF, homens ligados ao grupo fizeram ameaças dentro de uma marina e em hotéis da região para pressionar ex-colaboradores.
As investigações apontam que a organização funcionava como uma espécie de “braço armado” paralelo ligado aos interesses do grupo econômico investigado.
Mensagens interceptadas pela PF mostram referências frequentes à expressão “A Turma” em conversas envolvendo operadores do esquema.
Um dos nomes centrais citados pela investigação é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como líder operacional do núcleo.
Segundo a PF, ele coordenava ações de monitoramento, obtenção ilegal de dados e intimidação. Mourão morreu em março deste ano, poucos dias após ser preso.
Em nota enviada à imprensa, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão judicial se baseia em fatos cuja legalidade e justificativa econômica ainda não teriam sido comprovadas no processo.
Os advogados disseram ainda que pretendem apresentar esclarecimentos à Justiça.
Daniel Vorcaro segue preso em Brasília. A Polícia Federal aponta que o esquema investigado pode envolver fraudes financeiras bilionárias ligadas ao Banco Master, com prejuízos estimados em até R$ 12 bilhões.