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Produtora nega dinheiro de Vorcaro em filme sobre Bolsonaro
GOUP Entertainment afirma que não recebeu “um único centavo” do Banco Master; caso ganhou repercussão após divulgação de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro
14/05/2026 16h10
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A produtora GOUP Entertainment negou oficialmente ter recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, longa inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A manifestação foi divulgada nesta quarta-feira (13), após reportagem do The Intercept Brasil revelar que o senador Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro um repasse de cerca de R$ 134 milhões para financiar a produção.

Segundo documentos citados na reportagem, aproximadamente R$ 61 milhões já teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis transferências bancárias ligadas ao projeto.

Na gravação, o senador relata preocupação com a continuidade da produção e afirma que o atraso poderia comprometer contratos com atores e diretores internacionais envolvidos no projeto.

Após a divulgação do material, Flávio confirmou ter buscado patrocínio privado para o filme, mas negou qualquer irregularidade.

“Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, afirmou o senador em vídeo divulgado nas redes sociais.

Segundo ele, Daniel Vorcaro deixou de cumprir parcelas previstas em contrato, o que colocou em risco a conclusão da obra.

Produtora diz que conversas não significam investimento

Em nota oficial, a GOUP Entertainment afirmou que o filme foi estruturado exclusivamente com capital privado e que não houve qualquer aporte financeiro vindo diretamente de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas controladas pelo banqueiro.

A produtora também declarou que negociações e conversas com empresários não configuram, por si só, investimentos efetivados.

O comunicado afirma ainda que as leis dos Estados Unidos impedem a divulgação de investidores protegidos por acordos de confidencialidade.

Mário Frias reforça negativa

O deputado federal Mário Frias, que atua como produtor executivo do filme, também negou qualquer participação financeira de Vorcaro no projeto.

Frias afirmou que Flávio Bolsonaro não possui sociedade na produção e que o papel do senador se limitou à cessão dos direitos de imagem da família Bolsonaro e à aproximação de investidores interessados no projeto.

O parlamentar declarou ainda que, mesmo se houvesse aporte do banqueiro, não haveria ilegalidade, por se tratar de uma relação privada sem utilização de recursos públicos.

Relatórios do Coaf apontam movimentações financeiras

Apesar das negativas, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que a empresa Entre Investimentos, citada como intermediadora de repasses ligados ao projeto, recebeu cerca de R$ 159 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal no caso Banco Master.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre quanto desse valor teria sido destinado efetivamente ao financiamento do filme.

A Polícia Federal também investiga a suspeita de que parte dos recursos ligados a Vorcaro possa ter sido utilizada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Nota da GOUP Entertainment na íntegra

“A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements). Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.

Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.

A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos.

Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos — sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário.

A GOUP Entertainment repudia, portanto, tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual.

A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações.”

Nota de Mário Frias na íntegra

“Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, sobre a trajetória do presidente Jair Bolsonaro, esclareço:

O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio.

Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco.

Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido.

Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição. Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas. Ainda assim, o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional.

Por fim, um lembrete pessoal: geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir.

Deputado Federal Mário Frias, produtor executivo”.