O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (14) que o presidente da China, Xi Jinping, ofereceu ajuda para reabrir o Estreito de Hormuz e garantiu que Pequim não fornecerá equipamentos militares ao Irã durante o atual conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o governo iraniano.
As declarações foram dadas por Trump em entrevista ao programa “Hannity”, da Fox News, após o encontro bilateral realizado em Pequim. Segundo o republicano, Xi teria demonstrado preocupação com a crise energética global e sinalizado disposição para colaborar diplomaticamente.
“Ele gostaria de ver o estreito de Hormuz aberto e disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar’”, afirmou Trump.
O presidente norte-americano também declarou que Xi negou qualquer intenção de apoiar militarmente o Irã.
“Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares… ele disse isso enfaticamente”, acrescentou.
Até o momento, o governo chinês não confirmou oficialmente as falas relatadas por Trump.
As declarações ampliam o conteúdo do comunicado oficial divulgado pela Casa Branca após a reunião.
Segundo a nota oficial, Trump e Xi concordaram apenas que o Estreito de Hormuz deve permanecer aberto e que o Irã não pode possuir armas nucleares.
O estreito, localizado entre o Irã e Omã, é considerado uma das principais rotas marítimas do petróleo mundial. Cerca de 20% da produção global passa pela região, que vem sendo alvo de ataques, ameaças militares e bloqueios desde o agravamento da guerra entre EUA, Israel e Irã.
O fechamento parcial da rota provocou forte impacto nos preços internacionais do petróleo e aumentou a preocupação global com o abastecimento energético.
Durante o encontro, Xi Jinping também reforçou que a questão de Taiwan segue sendo o ponto mais sensível da relação entre China e Estados Unidos.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou a Trump que qualquer erro na condução do tema pode levar os dois países a um confronto direto.
“Se mal administrada, os dois países entrarão em conflito, levando toda a relação China-EUA a uma situação muito perigosa”, declarou o líder chinês, segundo a imprensa estatal.
Xi ainda reiterou que a independência de Taiwan é incompatível com a estabilidade regional e afirmou que a manutenção da paz no estreito é o “maior denominador comum” entre as duas potências.
O tema já vinha gerando tensão antes da viagem. Na última segunda-feira (11), Trump confirmou que pretende discutir com Xi a continuidade da venda de armas norte-americanas para Taiwan — medida rejeitada por Pequim.
Apesar das divergências, o encontro entre os dois líderes teve tom diplomático e momentos de descontração.
Trump e Xi participaram de reuniões bilaterais, visitaram juntos o Templo do Céu — um dos principais cartões-postais de Pequim — e participaram de um banquete oficial oferecido pelo governo chinês.
Durante a abertura da reunião bilateral, Trump destacou a relação pessoal construída entre os dois líderes.
“Nós construímos uma relação fantástica. Nós nos demos bem. Quando houve dificuldades, nós as resolvemos”, afirmou.
Segundo a Casa Branca, Trump também convidou Xi Jinping para visitar Washington em setembro.
A agenda oficial da visita de Trump à China segue nesta sexta-feira (15), com novos encontros bilaterais previstos em Pequim.
Além da guerra envolvendo o Irã, os líderes também discutem temas ligados ao comércio internacional, inteligência artificial, minerais estratégicos, exportações tecnológicas e a extensão da trégua comercial firmada entre os dois países no ano passado.
A viagem ocorre em um momento de pressão política interna sobre Trump, que enfrenta aumento na rejeição popular e críticas relacionadas à economia norte-americana e à condução da guerra no Oriente Médio.