Uma criança foi internada em Natal após suspeita de contaminação relacionada ao uso de um detergente da Ypê. O caso aconteceu na última quinta-feira (7) e está sendo investigado pela vigilância epidemiológica.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte, a criança foi atendida inicialmente na UPA Pajuçara e depois transferida para o Hospital Infantil Varela Santiago, onde segue internada.
De acordo com familiares, a menor teve contato com um detergente da marca cujo lote terminava em “1” — exatamente os produtos que tiveram fabricação, venda e uso suspensos pela Anvisa.
A família afirmou que a criança apresentou manchas na pele no mesmo dia em que utilizou o produto. A suspeita inicial é de intoxicação ou contaminação microbiológica, mas os parentes disseram que ainda aguardam os laudos oficiais.
“Como tinha saído uma nota de possível bactéria no sabão da Ypê, associamos uma coisa com a outra”, afirmou um familiar.
Segundo ele, a bactéria já teria sido identificada, embora ainda não exista confirmação oficial de que a contaminação tenha sido causada diretamente pelo detergente.
A Anvisa determinou o recolhimento dos lotes com final 1 das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca.
A decisão ocorreu após inspeção realizada entre os dias 27 e 30 de abril identificar 76 irregularidades em etapas consideradas críticas do processo de fabricação.
Segundo a agência, os problemas poderiam provocar contaminação microbiológica dos produtos.
Nesta sexta-feira (15), a Diretoria Colegiada da Anvisa decidiu, por unanimidade, manter a suspensão da fabricação, comercialização e uso dos produtos.
Os diretores classificaram o risco sanitário como “alto” e afirmaram que houve um “histórico recorrente de contaminação microbiológica”.
A agência também revelou que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.
Especialistas afirmam que o risco tende a ser baixo para pessoas saudáveis, mas pode ser maior para imunossuprimidos, bebês, idosos fragilizados e pessoas com feridas abertas.
A Anvisa orienta consumidores que tenham produtos dos lotes afetados a interromper imediatamente o uso e procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa.
A recomendação também é substituir esponjas de pia utilizadas com detergentes dos lotes atingidos.
"A Ypê informa que está em colaboração máxima com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na busca por uma solução definitiva para a situação envolvendo a suspensão da venda, comercialização e uso dos seus lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes com lotes de fabricação final 1, conforme dispõe a RE 1.834/2026.
Como parte desse processo, representantes da Ypê se reuniram com a agência ontem (terça-feira, 12/5) e apresentaram uma atualização do plano de ação com a evolução do seu processo fabril, reafirmando sua observância integral às recomendações pontuadas pela Anvisa. A empresa está apresentando informações detalhadas e laudos técnicos de microbiologia com verificações realizadas nos processos, bem como a análise de risco para o consumidor. Por essa razão, a Ypê solicitou à Diretoria Colegiada da Anvisa a manutenção dos efeitos do recurso que suspendeu a RE 1.834/2026, até que seja concluída a apresentação da documentação ao órgão regulador.
A Ypê, uma empresa 100% brasileira com 75 anos de história, reitera seu compromisso permanente com a segurança e a saúde dos consumidores, reforça que tem mantido diálogo contínuo, técnico e colaborativo com a Anvisa."