O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro marcou uma reunião com deputados e senadores do Partido Liberal para esta terça-feira (19), em meio à repercussão dos áudios e mensagens envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo aliados, o objetivo do encontro é alinhar estratégias políticas e discursos da pré-campanha presidencial após o desgaste provocado pela divulgação de conversas em que Flávio pede recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada em Jair Bolsonaro.
O senador vem percorrendo estados como pré-candidato e pretende consolidar apoio de candidatos do partido ao Senado e à Câmara.
Nos bastidores, integrantes do PL relatam preocupação com a dimensão da relação entre Flávio e Vorcaro.
Parlamentares afirmam que ficaram surpresos ao descobrir o vínculo próximo entre os dois apenas após o vazamento das mensagens e áudios divulgados pelo Intercept Brasil.
O líder da bancada na Câmara, Sóstenes Cavalcante, negou desmobilização no partido.
Segundo ele, a reunião servirá apenas para alinhamento político.
“A bancada está animada, é uma questão de alinhamento. Graças a Deus, a ampla maioria está engajada”, declarou.
O que mais preocupa integrantes do partido é a sequência de mensagens reveladas nas reportagens. Uma das conversas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos.
Na troca de mensagens, Flávio escreveu:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”
Segundo relatos internos, integrantes do PL querem saber se existem outras conversas, encontros ou negociações que ainda não vieram a público.
Também causou desconforto no partido uma mensagem em que Flávio menciona o irmão, Eduardo Bolsonaro, ao falar sobre uma possível viagem de Vorcaro para Dubai.
Após inicialmente negar qualquer relação financeira com Vorcaro, Flávio confirmou que buscou patrocínio privado para o filme.
Em entrevista à CNN Brasil, o senador afirmou que está disposto a divulgar os contratos ligados ao projeto, embora alegue que os documentos estejam vinculados a regras de compliance de um fundo privado sediado nos Estados Unidos.
Segundo reportagens, Flávio teria negociado cerca de R$ 134 milhões para o financiamento da produção. Até agora, documentos apontariam pagamentos de aproximadamente R$ 61 milhões.
Dentro do PL, há divisão sobre os efeitos políticos do caso.
Uma ala defende apoio integral a Flávio Bolsonaro, enquanto outro grupo prefere aguardar novas pesquisas para medir o impacto da crise na pré-candidatura presidencial.
Entre os nomes mencionados internamente como alternativa está Michelle Bolsonaro, que já vinha sendo citada em articulações do partido para 2026.
O deputado Mário Frias, ligado à produção do filme, também virou alvo de questionamentos após novas revelações sobre o financiamento do longa e problemas envolvendo pagamentos da produção nos Estados Unidos e no Brasil.