Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro teria discutido ameaças e uma possível tentativa de ataque hacker contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.
As conversas fazem parte da investigação sobre uma suposta organização criminosa ligada ao Banco Master, acusada de praticar espionagem, monitoramento ilegal, intimidação e invasões cibernéticas.
Segundo a PF, uma troca de mensagens entre Vorcaro e Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, mostra uma conversa sobre possível agressão física ao jornalista.
“Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.”
Em seguida, Mourão teria respondido:
“Pode? Vou olhar isso.”
De acordo com a investigação, Vorcaro respondeu apenas:
“Sim.”
Segundo a PF, esse episódio ajudou a embasar o pedido de prisão preventiva do banqueiro, decretado em março.
Os investigadores afirmam ainda que houve tentativa de ataque digital contra o jornalista.
Em outra conversa citada no inquérito, Daniel Vorcaro teria escrito:
“Preciso hackear esse Lauro.”
Segundo a PF, Felipe Mourão respondeu:
“Vou mandar fazer isso. Já pedi aos meninos para fazer isso.”
A investigação afirma que Mourão chegou a mencionar uma tentativa de marcar uma reunião com Lauro Jardim se passando por repórter para enviar um link malicioso ao jornalista, mas o plano não teria avançado.
As mensagens integram o inquérito sobre os grupos conhecidos como “Os Meninos” e “A Turma”.
Segundo a PF, “Os Meninos” funcionava como braço tecnológico da organização, realizando ataques cibernéticos, invasões telemáticas, monitoramento clandestino e obtenção ilegal de dados.
Já “A Turma” seria responsável por operações físicas de intimidação, ameaças e monitoramento presencial de adversários do grupo.
Felipe Mourão, apelidado de “Sicário”, foi preso em março deste ano e, segundo a polícia, morreu após cometer suicídio.
A Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro utilizava uma estrutura organizada que incluía hackers, policiais, operadores financeiros e integrantes ligados ao jogo do bicho.
Segundo a investigação, o grupo usava inteligência artificial, falsificação de documentos públicos e consultas ilegais a sistemas restritos.
Um dos integrantes apontados pela PF é Victor Lima Sedlmaier, preso em Dubai em ação conjunta da Interpol com autoridades brasileiras e dos Emirados Árabes.
A PF afirma que ele atuava no desenvolvimento de softwares para o grupo.
Outro investigado é David Henrique Alves, apontado como chefe do núcleo hacker, com salário de R$ 35 mil mensais.
A investigação também aponta atuação de grupos armados ligados ao esquema.
Segundo a PF, Henrique Vorcaro teria atuado como financiador do braço físico da organização.
Ex-funcionários de Daniel Vorcaro relataram abordagens intimidatórias em Angra dos Reis por homens armados e ligados ao grupo.
Um dos nomes citados é Manoel Mendes Rodrigues, apontado como operador do jogo do bicho e integrante da estrutura de intimidação.
A defesa de Daniel Vorcaro informou que não vai comentar os fatos investigados.
Já os advogados de Henrique Vorcaro afirmam que os pagamentos investigados seriam referentes a serviços legítimos de vigilância e negociação imobiliária.
A defesa de Victor Sedlmaier declarou que os esclarecimentos serão apresentados durante o andamento do processo e informou que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação.