
O concurso público da Câmara Municipal de Goiânia foi suspenso por 90 dias após o Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás identificar indícios de possível conflito de interesses envolvendo um candidato aprovado em primeiro lugar.
A decisão atinge o certame organizado pelo Instituto Verbena e foi tomada após denúncias relacionadas ao candidato Luã Lírio de Souza Cruz, aprovado para o cargo de administrador, com salário inicial de cerca de R$ 10 mil.
Segundo as denúncias encaminhadas ao tribunal, o candidato teria mantido vínculo com o Instituto Verbena/UFG em período próximo à aplicação das provas, realizada em 15 de março.
De acordo com a investigação, Luã chegou a solicitar afastamento do instituto em janeiro de 2025 para atuar na Defensoria Pública da União, mas ainda apareceu representando a instituição em um evento realizado em Campina Grande no dia 10 de março, poucos dias antes do concurso.
O candidato obteve 96 pontos de um total de 100 possíveis.
Apesar da suspensão temporária, o TCM-GO afirmou que ainda não existem provas de fraude, manipulação de resultado ou acesso indevido às provas.
Mesmo assim, o órgão entendeu que há elementos suficientes para aprofundar as investigações e determinou diligências para apurar se houve acesso privilegiado a informações internas do certame ou qualquer vantagem indevida.
Em nota enviada ao tribunal, o Instituto Verbena/UFG afirmou que o servidor comunicou formalmente um possível conflito de interesses ainda em dezembro de 2025 e solicitou afastamento completo das atividades relacionadas ao concurso.
Segundo a instituição, foram adotadas medidas preventivas, como bloqueio de acessos internos e restrição de permissões ligadas ao certame.
Já a Procuradoria-Geral da Câmara Municipal de Goiânia afirmou que recebeu a decisão “com serenidade” e reforçou confiança na lisura do concurso.
O órgão informou ainda que irá colaborar com as investigações e aguardar a conclusão das apurações.