O número de mortes relacionadas ao surto de Ebola na República Democrática do Congo subiu para 131, segundo autoridades de saúde do país. O governo também contabiliza 516 casos suspeitos e 33 confirmações da doença.
Somente nas últimas 24 horas, 26 mortes suspeitas foram registradas no leste do país, região que enfrenta violência armada e dificuldades de acesso à saúde.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar “profundamente preocupado” com a velocidade da disseminação do vírus.
No sábado (16), a OMS declarou o surto da cepa Bundibugyo do Ebola como emergência de saúde pública de interesse internacional.
Essa é considerada uma variante rara do vírus e, atualmente, não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados para ela.
A cidade de Butembo registrou seus dois primeiros casos confirmados nesta segunda-feira (18), aumentando o temor de expansão urbana do surto.
Autoridades afirmam que a capacidade limitada de diagnóstico dificultou a resposta inicial. Segundo a OMS, apenas seis testes por hora conseguem identificar a cepa Bundibugyo atualmente.
Além do Congo, Uganda confirmou dois casos da doença. Autoridades ugandesas passaram a restringir parcialmente a circulação em regiões de fronteira.
Já em áreas próximas a Ruanda, congoleses relataram dificuldades para atravessar postos de controle.
Mesmo assim, a OMS recomendou que os países não fechem completamente as fronteiras para evitar travessias clandestinas sem monitoramento sanitário.
O CDC confirmou que um cidadão americano testou positivo para Ebola.
O médico Peter Stafford e outros seis americanos expostos ao vírus foram transferidos para a Alemanha para tratamento e monitoramento.
Os Estados Unidos também suspenderam temporariamente a entrada de viajantes que estiveram recentemente na República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul.
Pesquisadores trabalham no desenvolvimento de terapias experimentais e possíveis vacinas contra a cepa Bundibugyo.
A OMS informou que uma das candidatas analisadas é a vacina Ervebo, da Merck & Co., mas ela só poderia estar disponível em cerca de dois meses.
Especialistas também apontam que cortes recentes em investimentos internacionais na saúde global dificultaram a preparação para novos surtos epidêmicos.