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Vorcaro vai para cela comum e delação perde força
Ex-banqueiro deixa sala especial da PF enquanto investigação avança no STF
19/05/2026 16h52
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A transferência de Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal é vista por investigadores como um sinal de enfraquecimento das negociações de delação premiada do ex-banqueiro.

A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça e ocorreu nesta segunda-feira (18).

Entre os pontos omitidos, investigadores citam pagamentos ao senador Ciro Nogueira e as negociações milionárias com Flávio Bolsonaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

“Ele apresentou um comportamento arrogante, como se o sistema fosse resolver tudo como ocorreu na Lava Jato”, afirmou uma fonte ligada ao caso.

Com isso, a tendência é que a investigação continue independentemente de um eventual acordo de colaboração com Vorcaro.

Até então, o empresário estava em uma sala de estado-maior da PF, onde podia ter contato mais frequente e prolongado com advogados por causa das negociações com a Procuradoria-Geral da República.

STF autoriza operação sobre vazamentos

O ministro André Mendonça também autorizou nesta terça-feira (19) uma operação para investigar vazamentos de informações sigilosas do caso Banco Master para a imprensa.

A decisão incluiu mandados de busca e apreensão e o afastamento cautelar de um perito federal suspeito de repassar informações da investigação.

Segundo o STF, as medidas não têm como alvo jornalistas ou veículos de imprensa, mas buscam identificar quem tinha obrigação legal de preservar o sigilo das apurações.

Contrato milionário com escritório de advocacia

Entre os documentos vazados está um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à família da ministra Viviane Barci de Moraes.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o acordo previa pagamentos de cerca de R$ 129 milhões ao longo de três anos.

Dados da Receita Federal enviados à CPI do Senado indicam que os pagamentos declarados pelo banco ao escritório chegaram a R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025.

Escritório diz que prestou serviços jurídicos

Em nota, o escritório afirmou que prestou consultoria e atuação jurídica ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.

Segundo a banca, foram realizadas 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais, além da atuação de 15 advogados e outros três escritórios especializados contratados para auxiliar nos serviços.