
O deputado federal Mário Frias recuou e admitiu que o filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro.
Frias, que é produtor executivo do longa e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, havia afirmado anteriormente que “não havia um centavo do Master” na produção.
Segundo ele, o contrato foi firmado com a empresa Entre Investimentos e Participações, e não diretamente com Vorcaro ou com o Banco Master.
“Ao afirmar que não havia um centavo do Master no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é signatário do contrato, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”, declarou.
A Entre Investimentos, porém, atuava em parceria com negócios ligados ao ex-banqueiro.
A mudança de versão ocorre após uma série de declarações contraditórias dos envolvidos no projeto.
Na quarta-feira (13), a produtora GOUP Entertainment afirmou “categoricamente” que não havia qualquer recurso de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas sob seu controle no financiamento do filme.
No mesmo dia, Mário Frias repetiu a mesma versão em publicação nas redes sociais.
Já o senador Flávio Bolsonaro admitiu posteriormente que buscou “patrocínio privado” para financiar o filme sobre o pai.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que Daniel Vorcaro tinha contrato com a produção e que houve atraso no pagamento das parcelas previstas.
Segundo reportagem do site Intercept Brasil, o senador teria negociado diretamente com Vorcaro um investimento de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para financiar o longa.
A reportagem afirma ter obtido acesso a mensagens, documentos, áudios e comprovantes bancários relacionados às negociações.