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Produtora de “Dark Horse” nunca lançou filmes e caso amplia crise no PL

Filme sobre Bolsonaro entra em nova fase de questionamentos

Redação
Por: Redação
20/05/2026 às 17h22 Atualizada em 20/05/2026 às 17h34
Produtora de “Dark Horse” nunca lançou filmes e caso amplia crise no PL

O filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou um novo capítulo na crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o deputado Mário Frias e o empresário Daniel Vorcaro.

Segundo apuração da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a produtora responsável pelo longa nunca lançou nenhum filme no Brasil ou no exterior.

Go Up Entertainment foi criada pouco antes do projeto

De acordo com dados obtidos junto à Ancine, a Go Up Entertainment teve registro confirmado apenas em julho de 2025 e não possui nenhuma produção audiovisual lançada em cinema, TV aberta ou TV fechada.

A empresa pertence à jornalista Karina Ferreira da Gama, que também aparece ligada à Go7 Assessoria e ao Instituto Conhecer Brasil. Nenhuma das empresas registrou obras concluídas no mercado audiovisual nacional.

Segundo a reportagem, a Go Up teria sido estruturada especificamente para viabilizar “Dark Horse”. O contrato social da empresa foi alterado em junho de 2025, pouco antes da entrada dos recursos para o filme.

Karina entrou no projeto pelas mãos do deputado Mário Frias, que assina o roteiro do longa sobre Jair Bolsonaro e atua como produtor executivo da obra.

Flávio Bolsonaro admitiu captação de R$ 61 milhões

O filme passou a ocupar o centro da crise política após reportagens do Intercept Brasil revelarem que Flávio Bolsonaro teria cobrado milhões de reais de Daniel Vorcaro para financiar o projeto.

Depois das revelações, o senador admitiu que houve captação de recursos ligados ao ex-banqueiro e reconheceu que cerca de R$ 61 milhões foram pagos ao filme por meio de uma empresa associada a Vorcaro.

A suspeita investigada pela Polícia Federal é que parte dessa estrutura financeira também possa ter sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Karina Ferreira afirmou ao O Globo que não participou da captação dos recursos e que não sabe quem seriam os investidores além de Vorcaro, sobre quem diz ter tomado conhecimento apenas após as reportagens do Intercept.

Recursos começaram a entrar antes da regularização

Segundo Karina, os valores destinados à produção começaram a chegar em março de 2025, vindos de um fundo administrado no Texas pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao círculo de Eduardo Bolsonaro.

Ela afirma que somente depois disso a Go Up conseguiu regularizar registros na Receita Federal e na Ancine.

A produção já teria custado cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 65 milhões.

Valor do filme chama atenção do setor audiovisual

O orçamento do longa provocou estranhamento no mercado por superar produções brasileiras recentes de grande repercussão.

Como comparação, filmes como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” tiveram custos inferiores ao informado pela equipe de “Dark Horse”.

Karina afirmou que quase metade do orçamento foi destinada ao elenco internacional e às longas semanas de gravação.

O filme é estrelado pelo ator Jim Caviezel, conhecido por “A Paixão de Cristo”, além de Esai Morales.

Empresas ligadas à produtora estão irregulares na Ancine

A Ancine também informou que a Go7 Assessoria e o Instituto Conhecer Brasil estão com registros suspensos desde janeiro de 2026 por falta de renovação documental.

Na prática, isso impede as duas entidades de registrar obras, apresentar projetos ou pleitear financiamento público junto à agência reguladora.

Já a Go Up, responsável por “Dark Horse”, está com o cadastro regularizado, mas o filme ainda não foi oficialmente registrado perante a Ancine.

Segundo fontes do setor audiovisual ouvidas pela reportagem, a suspensão dos registros reforça a percepção de que as empresas ligadas a Karina nunca tiveram atuação efetiva no mercado cinematográfico brasileiro e não demonstraram interesse concreto em manter atividades regulares no setor.

Entidades ligadas ao projeto já estão sob investigação

O caso já chegou ao Supremo Tribunal Federal.

O ministro Flávio Dino abriu uma apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção, como a Go Up e o Instituto Conhecer Brasil.

A ação foi provocada por pedido da deputada Tabata Amaral, que questiona possível uso indireto de recursos públicos no financiamento do longa.

Aliados de Lula acionam TSE

Nesta terça-feira (19), aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionaram o Tribunal Superior Eleitoral para tentar impedir a estreia do filme antes das eleições.

O argumento é que a obra poderia funcionar como propaganda eleitoral disfarçada e influenciar o cenário político durante o período pré-eleitoral.

Enquanto isso, a produção de “Dark Horse” segue cercada por disputas judiciais, suspeitas sobre a origem dos recursos e pressão política crescente sobre aliados de Jair Bolsonaro.

 

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