21°C 32°C
Goiânia, GO

Lula assina decretos e amplia fiscalização sobre redes sociais

Governo cria novas regras para plataformas digitais

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
20/05/2026 às 17h26
Lula assina decretos e amplia fiscalização sobre redes sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou dois decretos que ampliam as regras para atuação das plataformas digitais no Brasil e aumentam a responsabilização das big techs por conteúdos publicados por terceiros.

As medidas regulamentam decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet e também criam novas obrigações relacionadas à proteção de mulheres no ambiente digital.

Os decretos foram assinados durante evento dos 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio e passam a valer após publicação no Diário Oficial da União.

ANPD passa a fiscalizar big techs

Uma das principais mudanças é a ampliação das funções da Agência Nacional de Proteção de Dados, ligada ao Ministério da Justiça.

O órgão passa a fiscalizar se plataformas digitais estão cumprindo as obrigações determinadas pelo STF, atuando como uma espécie de agência reguladora das redes sociais.

Segundo o governo, a ANPD fará uma fiscalização “no atacado”, analisando relatórios, ferramentas de denúncia e medidas preventivas adotadas pelas empresas, sem interferir diretamente em conteúdos específicos ou posts individuais.

Entre as punições previstas no Marco Civil da Internet estão advertências, multas que podem chegar a 10% do faturamento do grupo econômico, suspensão e até proibição de atividades.

STF ampliou responsabilização das plataformas

As mudanças vêm após decisão do STF em 2025 que alterou o entendimento sobre a responsabilidade das plataformas por conteúdos publicados por usuários.

Antes, as empresas só poderiam ser responsabilizadas caso descumprissem ordem judicial de remoção.

Com o novo entendimento, as plataformas podem ser punidas mesmo sem decisão judicial em algumas situações.

O Supremo definiu duas hipóteses principais:

  • quando houver falhas sistêmicas no combate a crimes graves;

  • quando a empresa receber notificação sobre conteúdo ilegal e não agir.

Crimes graves exigirão remoção imediata

O STF definiu sete grupos de crimes considerados graves, nos quais as plataformas devem agir rapidamente para remover conteúdos.

Entre eles estão:

  • terrorismo;

  • incitação ao suicídio ou automutilação;

  • golpe de Estado e ataques à democracia;

  • racismo;

  • homofobia;

  • crimes contra mulheres;

  • crimes contra crianças e adolescentes.

Os decretos também determinam que as plataformas criem canais de denúncia, permitam contestação das decisões e informem os usuários sobre remoções e medidas aplicadas.

Governo mira golpes e anúncios fraudulentos

As novas regras também obrigam as plataformas a atuar preventivamente contra golpes e fraudes online.

Segundo o texto, empresas devem impedir anúncios fraudulentos, vendas ilegais e conteúdos enganosos, como serviços piratas de TV e promoções falsas.

As plataformas ainda terão de preservar dados e registros para auxiliar investigações e ações judiciais futuras.

O decreto afirma que conteúdos de crítica, sátira, paródia, manifestação religiosa e material jornalístico permanecem protegidos.

Decreto cria proteção específica para mulheres

O segundo decreto assinado por Lula trata especificamente da violência contra mulheres na internet.

Entre as medidas previstas estão:

  • criação de canal específico para denúncias de nudez e imagens íntimas;

  • remoção desse conteúdo em até duas horas após denúncia da vítima;

  • obrigação de reduzir alcance de ataques coordenados contra mulheres;

  • proibição de ferramentas de inteligência artificial que gerem “nudes falsos”;

  • divulgação do canal Ligue 180 dentro das plataformas.

Segundo o governo, a medida busca combater o crescimento de ataques virtuais contra mulheres e meninas.

Congresso segue sem consenso sobre regulação

As mudanças acontecem após anos de dificuldade no Congresso para aprovar projetos de regulamentação das redes sociais.

O principal deles, conhecido como “PL das Fake News”, enfrentou resistência política e críticas sobre possíveis riscos à liberdade de expressão.

Enquanto isso, o governo afirma que os decretos apenas regulamentam decisões já tomadas pelo STF e organizam a fiscalização das plataformas digitais no país.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Goiânia, GO
27°
Tempo nublado
Mín. 21° Máx. 32°
28° Sensação
7.42 km/h Vento
57% Umidade
100% (19.73mm) Chance chuva
05h48 Nascer do sol
18h16 Pôr do sol
Sábado
30° 20°
Domingo
32° 20°
Segunda
33° 20°
Terça
36° 21°
Quarta
36° 24°
Economia
Dólar
R$ 5,08 -0,36%
Euro
R$ 5,70 -0,27%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 436,653,42 -1,27%
Ibovespa
204,561,70 pts 0.12%
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade