O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que as negociações com o Irã avançaram e defendeu a inclusão do país nos chamados Acordos de Abraão, tratados diplomáticos que aproximaram Israel de nações árabes nos últimos anos.
Em publicação na rede Truth Social, Trump disse que gostaria de ver todos os países do Oriente Médio aderindo ao acordo e declarou que seria uma “honra” incluir o Irã na coalizão caso as negociações avancem.
Os comentários ocorreram após reuniões realizadas no fim de semana com representantes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Egito, Jordânia, Bahrein e Paquistão. Segundo Trump, os encontros tiveram como foco a construção de uma solução regional para encerrar o conflito e ampliar a estabilidade no Oriente Médio.
Criados em 2020, durante o primeiro mandato do republicano, os Acordos de Abraão estabeleceram relações diplomáticas entre Israel e países árabes como Emirados Árabes Unidos e Bahrein. O movimento foi considerado histórico por romper décadas de distanciamento político na região.
Trump afirmou que os acordos ajudaram a impulsionar crescimento econômico e cooperação regional entre os países signatários. Ele também destacou que Arábia Saudita e Catar poderiam liderar uma nova rodada de adesões ao tratado.
Apesar do discurso otimista do presidente americano, o cenário segue cercado de tensão. O Irã mantém restrições no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do petróleo mundial. Nesta segunda-feira, autoridades iranianas anunciaram a cobrança de taxas sobre embarcações que cruzarem a região.
A medida elevou a pressão sobre os mercados internacionais e provocou novas altas no preço do petróleo. O bloqueio parcial da rota marítima também aumentou a preocupação dos Estados Unidos e de aliados ocidentais sobre impactos na economia global.
Do lado iraniano, autoridades afirmaram que as negociações indiretas com os EUA estão concentradas no fim das ofensivas militares no Oriente Médio. O governo do Irã indicou ainda que temas como o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz não fazem parte das conversas atuais — posição diferente da defendida pela Casa Branca.
O programa nuclear do Irã segue sendo um dos principais pontos de tensão entre Teerã e Washington. Os Estados Unidos acusam o país de enriquecer urânio em níveis que poderiam ser utilizados futuramente na produção de armas nucleares, algo que o governo iraniano nega.