A Polícia Federal afirma que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mantinha uma relação próxima com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e que essa ligação teria ajudado a viabilizar investimentos bilionários do Rioprevidência na instituição financeira.
As informações aparecem na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou mandados de busca e apreensão contra Castro durante nova fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta terça-feira.
Segundo a investigação, os contatos entre o ex-governador e Vorcaro iam além de reuniões institucionais. A PF cita encontros frequentes, inclusive no exterior e em ambientes privados, além de viagens e eventos pagos pelo banqueiro. Para os investigadores, os compromissos coincidiam com liberações de investimentos do Rioprevidência no Banco Master.
O Rioprevidência é o fundo responsável pela gestão da previdência dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Federal, cerca de R$ 3 bilhões teriam sido transferidos para aplicações ligadas ao Banco Master entre 2023 e 2024.
Na decisão, Mendonça afirma que mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que parte dos investimentos dependia de “alinhamento político” com o então chefe do Executivo fluminense. A investigação também aponta possíveis mudanças estratégicas na gestão do Rioprevidência antes da sequência de aportes financeiros.
Ainda segundo a PF, os investimentos continuaram mesmo após alertas feitos por órgãos de controle. Para os investigadores, há indícios de interferência política indevida e possível favorecimento ao banco.
Além de Castro, a operação teve como alvo Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado pela Polícia Federal como articulador e intermediador entre Vorcaro e autoridades públicas. Rodrigues já havia aparecido em investigações da Lava Jato no Rio de Janeiro.
A defesa do ex-governador ainda não comentou as suspeitas. Já o advogado de Castro acompanhou as buscas realizadas pela Polícia Federal.
Essa é a segunda operação em menos de um mês envolvendo o nome de Cláudio Castro. No início de maio, ele também foi alvo de investigação relacionada à refinaria Refit e a supostas irregularidades no setor de combustíveis do estado.