Os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, ambos pré-candidatos à Presidência da República em 2026, se reuniram nesta terça-feira em São Paulo para discutir uma possível aliança eleitoral já no primeiro turno.
Após o encontro, Caiado afirmou que existe “sentimento” favorável à união entre os dois grupos políticos e admitiu que a composição está em análise. O ex-governador de Goiás também sinalizou a possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa em uma eventual aliança.
“Quando nós unirmos um pouco nossos esforços, poderemos chegar competitivos no primeiro turno ou fortes no segundo”, declarou Caiado durante entrevista à rádio Nova Difusora.
Já Zema afirmou que as conversas seguem abertas, mas indicou que qualquer definição deve acontecer apenas perto do prazo final para registro das candidaturas, em agosto de 2026. Em tom de brincadeira, ao ser questionado sobre a possibilidade de ser vice, respondeu: “Não poderia ser ao contrário?”.
Nos bastidores, aliados dos dois políticos avaliam que uma eventual união pode fortalecer o campo da direita fora do núcleo bolsonarista. Ainda assim, interlocutores afirmam que a decisão dependerá da evolução das pesquisas e das negociações partidárias nos próximos meses.
O encontro também acontece em meio ao desgaste envolvendo Flávio Bolsonaro após a divulgação de áudios ligados ao caso do Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Zema criticou publicamente o senador e afirmou ter ficado “indignado” com o episódio.
As declarações provocaram reação negativa entre aliados bolsonaristas e aumentaram o distanciamento entre Zema e parte da base ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo assim, o ex-governador mineiro afirmou que apoiaria Flávio em um eventual segundo turno contra candidatos da esquerda.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada em maio, Lula lidera a disputa com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 31%. Caiado registra 4% e Zema, 3%.
Durante o evento desta terça-feira, Zema também voltou a criticar programas sociais e afirmou que existem pessoas recebendo Bolsa Família sem necessidade. A fala gerou repercussão e reacendeu debates sobre políticas de assistência social em meio ao cenário pré-eleitoral.