O prolongamento da guerra na Ucrânia tem provocado um novo problema dentro das tropas dos dois lados do conflito: o aumento do uso de drogas entre soldados para suportar o estresse extremo do combate. Estimulantes, opioides e analgésicos vêm sendo usados para aliviar dores, afastar o medo e lidar com traumas acumulados ao longo dos anos de guerra.
O conflito já entrou no quinto ano e, segundo especialistas, muitos militares permanecem longos períodos na linha de frente sem descanso ou rodízio adequado. O cenário tem contribuído para casos crescentes de dependência química e automedicação.
Soldados relatam que as substâncias ajudam a suportar o ambiente extremo da guerra. “Você precisa encontrar alguma coisa para continuar funcionando”, contou Dmytro, militar ucraniano e dependente em recuperação, em entrevista reproduzida pela imprensa internacional.
Outro ex-combatente, Stanislav, afirmou que passou a usar metadona após atuar na contraofensiva ucraniana em Zaporíjia. Segundo ele, a droga ajudava a “se distanciar dos horrores e da ansiedade constante” vividos no фронт.
O psicoterapeuta ucraniano Ihor Alferow afirma que nenhum exército moderno enfrentou tantos anos de combate intenso sem grandes rotações de tropas. Segundo ele, muitos militares retornam profundamente alterados emocionalmente e acabam desenvolvendo dependência química.
O uso de substâncias em guerras não é novidade histórica. Durante a Segunda Guerra Mundial, tropas alemãs receberam milhões de comprimidos de metanfetamina. Já militares americanos utilizaram estimulantes em conflitos como Vietnã, Iraque e Afeganistão.
Na Ucrânia, organizações de saúde estimam que metade dos soldados na linha de frente já teve algum contato com drogas ou combinações de álcool e outras substâncias durante o conflito.
Apesar disso, o apoio público aos veteranos ainda é considerado insuficiente. Muitos combatentes relatam falta de tratamento psicológico, reabilitação e espaços de acolhimento após deixarem o combate.
Embora o uso de drogas continue oficialmente proibido nas Forças Armadas ucranianas, especialistas afirmam que, em muitos casos, o problema acaba sendo ignorado informalmente enquanto o militar consegue continuar atuando nas operações.
O governo ucraniano começou recentemente a incluir programas de apoio a veteranos com dependência química em estratégias de reabilitação, mas profissionais da área alertam que os impactos psicológicos da guerra podem continuar por muitos anos mesmo após o fim do conflito.