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Subsídio nos combustíveis ainda não deve baixar preços em Goiás
Setor afirma que descontos anunciados pelos governos federal e estadual dependem de repasses ao longo de toda a cadeia de distribuição antes de chegar ao consumidor
29/05/2026 17h12
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Os subsídios anunciados pelos governos federal e estadual para gasolina e diesel ainda não devem provocar redução imediata nos preços dos combustíveis em Goiás. A avaliação é do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto Goiás) e de especialistas em economia, que apontam que os incentivos precisam percorrer toda a cadeia de produção, distribuição e revenda antes de chegarem aos postos.

Recentemente, o Governo de Goiás aderiu ao Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis, concedendo um subsídio de R$ 0,60 por litro de diesel. Somado ao incentivo federal, o benefício total para o combustível chega a R$ 1,20 por litro.

Já para a gasolina, o governo federal publicou um decreto que prevê um subsídio de R$ 0,44 por litro, com validade inicial de dois meses. A medida busca reduzir os impactos da alta do petróleo no mercado internacional, pressionado pelos conflitos no Oriente Médio.

Desconto não chega diretamente aos postos

Segundo o presidente do Sindiposto Goiás, Márcio Andrade, ainda é cedo para prever qual será o impacto efetivo da medida nos preços pagos pelos consumidores.

De acordo com ele, o subsídio é concedido na origem da cadeia, alcançando refinarias, produtores e importadores de combustíveis, e não diretamente os postos.

“O posto não recebe nenhum incentivo. Esse incentivo acontece na origem da cadeia e depende de ser repassado pelas refinarias e distribuidoras até chegar ao consumidor final”, explicou.

Andrade destaca que, historicamente, quando há redução de preços nas distribuidoras, o desconto costuma ser transferido aos consumidores conforme os estoques dos postos são renovados.

“O que podemos garantir é que, se houver redução efetiva para os postos, ela tende a chegar ao consumidor, como acontece tradicionalmente no mercado”, afirmou.

Conflito internacional mantém pressão sobre preços

A economista Greice Guerra avalia que os subsídios surgem em um momento de forte instabilidade internacional.

Segundo ela, as tensões no Oriente Médio continuam pressionando o preço do petróleo, especialmente por causa das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial da commodity.

“Essa alta está diretamente ligada ao conflito na região. O barril do petróleo tem oscilado próximo dos 100 dólares, o que afeta os preços dos combustíveis em diversos países, inclusive no Brasil”, explicou.

A economista ressalta que os subsídios podem gerar um alívio temporário, mas não resolvem as causas estruturais da alta dos preços.

“É uma medida de curto prazo. Ela ajuda a reduzir momentaneamente os impactos, mas não é suficiente para controlar de forma permanente a inflação ou os preços dos combustíveis”, afirmou.

Efeito pode ajudar a conter a inflação

Apesar das limitações, representantes do setor avaliam que os incentivos podem contribuir para reduzir pressões inflacionárias, especialmente em atividades que dependem fortemente do transporte rodoviário.

O diesel é considerado um dos principais custos logísticos do país e influencia diretamente o transporte de mercadorias, alimentos e insumos agrícolas.

“Em um momento de guerra e de aumento expressivo dos preços internacionais, o subsídio é importante para ajudar no controle da inflação e reduzir impactos sobre os custos de transporte e produção”, destacou Márcio Andrade.

Ainda assim, especialistas alertam que o resultado final dependerá da adesão de refinarias, importadores, distribuidoras e demais agentes da cadeia de combustíveis.

Enquanto isso, consumidores goianos ainda devem aguardar para saber se os incentivos anunciados irão, de fato, se refletir nos preços praticados nas bombas dos postos nos próximos dias ou semanas.