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ONU alerta: só limitar idade não protege crianças online
Organização afirma que limitar idade de acesso às redes sociais não resolve o problema e cobra mudanças nas plataformas digitais
29/05/2026 17h53
Por: Redação
Foto: Reprodução

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta sexta-feira (29) que a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital deve ser tratada como uma prioridade urgente pelos governos e pelas empresas de tecnologia.

O posicionamento foi divulgado pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, que criticou o funcionamento de plataformas digitais e afirmou que muitos dos riscos enfrentados por menores estão ligados ao próprio modelo de negócios das empresas.

Segundo Türk, mecanismos como rolagem infinita de conteúdo, reprodução automática de vídeos e notificações constantes incentivam o uso excessivo das plataformas e aumentam a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos nocivos.

Para a ONU, os abusos online não são apenas resultado do comportamento dos usuários, mas também de decisões de design adotadas pelas empresas para ampliar o tempo de permanência nas plataformas.

“O reforço da proteção das crianças online é uma prioridade urgente, mas isso precisa ser feito da maneira correta”, afirmou o representante.

Limites de idade não são suficientes

Nos últimos anos, alguns países passaram a adotar regras mais rígidas para restringir o acesso de menores às redes sociais.

A Austrália proibiu, em 2025, o uso de diversas plataformas por menores de 16 anos. Já a França aprovou no Senado uma proposta para impedir o acesso de menores de 15 anos às redes sociais.

Apesar disso, a ONU avalia que apenas estabelecer limites de idade não resolve o problema. Segundo o órgão, as restrições podem ser facilmente contornadas e até levar jovens a migrarem para plataformas menos supervisionadas e potencialmente mais perigosas.

Empresas devem incorporar proteção desde o início

A principal recomendação da ONU é que as empresas desenvolvam aplicativos e redes sociais já com mecanismos de proteção incorporados desde a concepção dos produtos.

A organização defende que a responsabilidade pela segurança digital não seja transferida apenas para pais e responsáveis, mas compartilhada com as plataformas que operam esses serviços.

Diretrizes para aumentar a segurança online

O escritório de Direitos Humanos da ONU publicou um conjunto de dez diretrizes voltadas à proteção de crianças e adolescentes na internet.

Entre as recomendações estão a ativação automática de configurações máximas de privacidade para menores de idade e a proibição da microsegmentação comercial baseada em dados e comportamentos digitais de crianças.

Segundo a ONU, o objetivo é reduzir riscos relacionados à exposição excessiva, ao assédio online, à coleta de dados pessoais e à influência de algoritmos sobre o comportamento de usuários mais jovens.

A organização afirma que o debate sobre a segurança digital infantil deve avançar além das restrições de acesso e focar também na forma como as plataformas são projetadas e operadas.