
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas continua gerando repercussão entre autoridades dos dois países.
Nesta segunda-feira (1º), a porta-voz do Departamento de Estado americano, Amanda Roberson, afirmou que o presidente Donald Trump pretende utilizar todos os instrumentos disponíveis para combater grupos criminosos que atuam na região.
Segundo ela, o governo americano considera as duas facções brasileiras uma ameaça à segurança dos Estados Unidos.
“O presidente Trump deixou muito claro desde o início do mandato que vai utilizar todas as ferramentas à disposição para combater esses grupos criminosos. O presidente está atuando para eliminar esses grupos”, declarou a porta-voz em entrevista à CNN Brasil.
Na última quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos EUA anunciou a inclusão do PCC e do CV na categoria de “Terroristas Globais Especialmente Designados”.
O comunicado foi assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e prevê ainda que as facções sejam oficialmente enquadradas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.
Segundo o governo americano, as duas organizações comandam milhares de integrantes e são responsáveis por ataques contra agentes públicos e civis, além de manterem redes criminosas que ultrapassam as fronteiras brasileiras.
A medida recebeu críticas do ex-ministro da Justiça e ex-presidente do STF, Ricardo Lewandowski.
Durante participação no Fórum de Lisboa 2026, Lewandowski afirmou que a classificação pode representar uma ameaça à soberania nacional e gerar impactos econômicos para o Brasil.
Segundo ele, a medida vai além da segurança pública e pode afetar a percepção internacional sobre o país.
“Isso pode representar um atentado à nossa soberania. Além disso, pode dificultar investimentos estrangeiros no Brasil”, afirmou.
De acordo com Lewandowski, a classificação das facções como organizações terroristas pode levar empresas nacionais e estrangeiras a adotarem mecanismos adicionais de controle, auditoria e compliance para operar no país.
O ex-ministro argumenta que o enquadramento pode aumentar exigências regulatórias e custos para empresas que mantêm relações comerciais internacionais.
Segundo ele, companhias poderão enfrentar novas obrigações administrativas para demonstrar que suas atividades não possuem qualquer ligação com organizações classificadas como terroristas.
A decisão americana também provocou reações do governo brasileiro. Integrantes do Executivo e autoridades da área jurídica têm defendido que PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas voltadas ao lucro por meio do tráfico de drogas e armas, e não grupos motivados por causas políticas, religiosas ou ideológicas, características normalmente associadas ao terrorismo.
O tema deve continuar gerando debates diplomáticos, jurídicos e econômicos nos próximos dias, especialmente após a entrada em vigor da classificação anunciada pelos Estados Unidos.