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Lula chama filhos de Bolsonaro de “traidores da pátria” ao comentar tarifaço dos EUA
Presidente atribui proposta de sobretaxa americana à atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro junto ao governo Trump
02/06/2026 16h14
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, responsabilizou nesta terça-feira (2) os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro pela proposta dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

Durante evento em Catalão, Goiás, Lula afirmou que os filhos de Bolsonaro atuaram junto ao governo americano para pressionar o Brasil e classificou a atitude como uma traição ao país.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, declarou o presidente.

Lula citou especialmente as viagens e reuniões realizadas pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro com integrantes do governo americano, incluindo o presidente Donald Trump.

Segundo o presidente, os dois parlamentares comemoraram as sanções comerciais anunciadas pelos Estados Unidos em julho de 2025. Lula relembrou uma publicação de Flávio Bolsonaro agradecendo a Trump após o anúncio das tarifas e afirmou que os filhos do ex-presidente colocaram interesses políticos acima dos interesses nacionais.

O petista também acusou a família Bolsonaro de tentar prejudicar a economia brasileira em busca de vantagens eleitorais para a disputa presidencial de 2026.

Em resposta às declarações, Flávio Bolsonaro negou ter apoiado qualquer medida contra o Brasil e afirmou que chegou a pedir ao presidente americano que não aplicasse novas tarifas ao país.

O novo capítulo da tensão comercial surgiu após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório americano cita preocupações relacionadas ao Pix, acordos comerciais, etanol, combate à pirataria, propriedade intelectual, corrupção e questões ambientais.

A proposta ainda não entrou em vigor. Antes de qualquer decisão definitiva, o governo americano realizará consultas públicas e audiências para discutir a medida.

Além de Lula, integrantes do governo também criticaram a recomendação. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou ter recebido a notícia com indignação e classificou a medida como injusta.

“Infelizmente, falsos patriotas e sabotadores colocam interesses pessoais acima dos interesses do Brasil”, declarou Alckmin.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não aceitará discutir mudanças no Pix como condição para negociações comerciais com os Estados Unidos.

Já o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, criticou diretamente a atuação de Flávio Bolsonaro em Washington e afirmou que iniciativas desse tipo podem prejudicar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Apesar das críticas ao relatório americano, Lula afirmou que o Brasil continuará buscando novos mercados e destacou como contraponto o reconhecimento da China ao status sanitário brasileiro de país livre da febre aftosa, medida que amplia o acesso da carne brasileira ao mercado chinês.

“Se alguém não quiser comprar de nós, vamos vender para outro. O Brasil continuará defendendo seus interesses”, afirmou o presidente.