A Polícia Federal avalia que a nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ainda não trouxe elementos inéditos capazes de justificar a celebração de um acordo de colaboração. Segundo fontes ligadas às investigações, o material complementar entregue pela defesa na semana passada não alterou a percepção dos investigadores sobre o caso.
A colaboração premiada é um instrumento jurídico que permite a redução de pena em troca de informações relevantes para o esclarecimento de crimes e identificação de envolvidos. No entanto, integrantes da PF afirmam que as novas informações apresentadas por Vorcaro repetem fatos já conhecidos ou investigados.
Entre os temas mencionados no novo anexo estão supostos repasses relacionados ao senador Ciro Nogueira e ao filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, investigadores avaliam que os relatos têm caráter explicativo e não apresentam provas ou fatos novos que ampliem significativamente as investigações.
Nos bastidores, a avaliação de investigadores é de que o banqueiro continua evitando envolver determinadas figuras públicas e não apresentou, até o momento, elementos considerados decisivos para o esclarecimento dos fatos investigados.
A decisão final sobre a homologação de eventual acordo caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na última semana, Mendonça se reuniu com representantes da defesa e deverá voltar a discutir o tema nos próximos dias com o advogado Sérgio Leonardo, responsável pelas negociações.
A autorização para o acesso ampliado foi concedida pelo ministro André Mendonça e permite que os advogados permaneçam com o investigado das 9h às 17h. O benefício termina no próximo dia 12 de junho. A partir de então, volta a valer a regra geral, que limita os encontros a 30 minutos por dia.
No mês passado, a Polícia Federal rejeitou uma primeira versão da delação apresentada pela defesa de Vorcaro. À época, investigadores alegaram que o material acrescentava pouco ao que já havia sido descoberto durante as investigações.
As apurações avançaram após a apreensão de celulares do banqueiro. Segundo investigadores, a análise inicial dos aparelhos apontou indícios que vão além de supostas fraudes financeiras, incluindo suspeitas de corrupção, organização criminosa e utilização de uma estrutura privada para monitoramento de adversários e obtenção de informações sigilosas.
De acordo com informações divulgadas anteriormente, a negociação da delação também envolve a devolução de recursos. Interlocutores de Vorcaro afirmaram que ele teria concordado em elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser ressarcido em caso de fechamento de um acordo.
Um dos pontos incluídos na nova proposta de colaboração envolve o patrocínio ao filme Dark Horse, produção sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Segundo aliados de Vorcaro, o banqueiro decidiu abordar o assunto após o vazamento de mensagens relacionadas ao financiamento do projeto. Na versão apresentada à PF, ele afirma que a negociação ocorreu de forma regular e sem contrapartidas indevidas.
De acordo com a defesa, os recursos teriam sido enviados por uma empresa ligada ao banqueiro para um fundo sediado nos Estados Unidos. Vorcaro afirma ter esclarecido as tratativas financeiras, mas não teria apresentado informações sobre a utilização final dos recursos.
Apesar disso, investigadores continuam apurando se parte do dinheiro destinado ao filme pode ter sido utilizada para outras finalidades. Entre as linhas de investigação está a suspeita de que recursos tenham financiado atividades de articulação política e lobby nos Estados Unidos.