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Bebês siameses morrem após complicação grave em Goiânia
Bernardo e Eduardo nasceram unidos pelo abdômen e compartilhavam o fígado; procedimento de separação precisou ser antecipado após agravamento do estado de saúde de um dos irmãos
08/06/2026 17h12
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Os bebês siameses Bernardo e Eduardo, que nasceram unidos pelo abdômen em Goiânia, morreram neste domingo (7) após complicações causadas por uma grave infecção intestinal em um dos irmãos. A informação foi confirmada pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil, responsável pelo acompanhamento do caso, por meio de uma publicação nas redes sociais.

Segundo o médico, Bernardo apresentou no sábado (6) um quadro severo de enterocolite necrotizante intestinal, doença grave que provoca inflamação e destruição de partes do intestino. O bebê sofreu uma parada cardíaca irreversível, o que levou a equipe médica a antecipar a cirurgia de separação que estava programada para acontecer nesta semana.

De acordo com Calil, Eduardo ainda apresentava sinais vitais preservados quando a equipe decidiu realizar o procedimento de emergência no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia. A operação conseguiu separar os irmãos, mas o segundo bebê também não resistiu.

— O Eduardo continuou com sinais vitais preservados. Não tivemos outra opção a não ser ir para uma cirurgia de emergência. Conseguimos fazer a separação, mas o Eduardo não resistiu — relatou o médico.

Equipe tentou reanimação por quase uma hora

  1. Ainda segundo Zacharias Calil, os profissionais permaneceram por cerca de 50 minutos tentando reanimar os bebês durante o procedimento cirúrgico.

— Quase 50 minutos na sala de cirurgia. Peço a todos orações, que Deus conforte a família. E nós estamos certos de que fizemos todo o possível, tudo na medida como profissionais — afirmou.

A cirurgia de separação estava prevista para a próxima quarta-feira, mas precisou ser antecipada devido à rápida piora no quadro clínico de Bernardo.

Caso era considerado raro e complexo

Filhos de Aline Silva Santos Gomes e Gleibson Gomes, moradores de Palmas, no Tocantins, Bernardo e Eduardo nasceram em maio no Hospital Estadual da Mulher (Hemu), em Goiânia.

O caso era considerado de alta complexidade porque os irmãos eram unidos pelo abdômen e compartilhavam o fígado, um órgão essencial para o funcionamento do organismo. Segundo especialistas, a condição ocorre em aproximadamente um a cada 150 mil nascimentos.

Desde o nascimento, os bebês estavam sendo acompanhados por uma equipe multidisciplinar que preparava a cirurgia de separação. O compartilhamento do fígado aumentava significativamente os riscos do procedimento e exigia um planejamento detalhado para preservar a vida dos dois irmãos.

A morte dos bebês gerou comoção entre familiares, profissionais de saúde e pessoas que acompanhavam o caso nas redes sociais. O médico Zacharias Calil, conhecido nacionalmente por atuar em cirurgias de separação de gêmeos siameses, lamentou o desfecho e destacou que a equipe adotou todas as medidas possíveis diante da emergência.

O que é enterocolite necrotizante?

A enterocolite necrotizante é uma doença grave que afeta o intestino, principalmente em recém-nascidos e bebês. A condição provoca inflamação intensa e pode levar à destruição de partes do tecido intestinal, causando infecções generalizadas, falência de órgãos e até a morte.

Em casos mais severos, como o registrado com Bernardo, a evolução pode ser rápida e exigir intervenção cirúrgica de emergência.