A nova tentativa de acordo de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta forte resistência entre investigadores e integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo apurações de bastidores, a tendência atual é que a proposta seja rejeitada, caso não sejam apresentados fatos novos acompanhados de provas capazes de corroborar as informações fornecidas.
Vorcaro, que é alvo das investigações relacionadas ao chamado Caso Master, já teve uma primeira proposta de colaboração recusada pela Polícia Federal (PF). Desde então, sua defesa trabalha em uma nova versão do acordo, mas a avaliação predominante entre investigadores é de que o material continua insuficiente.
De acordo com fontes ligadas à investigação, o principal problema identificado é a ausência de elementos concretos que sustentem as declarações feitas pelo ex-banqueiro.
Segundo integrantes da investigação, as versões apresentadas por Vorcaro vêm perdendo consistência à medida que novas operações são realizadas e mais informações são extraídas dos aparelhos eletrônicos apreendidos durante a apuração.
Nos bastidores, investigadores afirmam que o ex-banqueiro nem sempre apresenta os fatos de forma completa e, em muitos casos, não consegue fornecer documentos ou provas que confirmem as acusações relatadas.
Além disso, parte da documentação que poderia eventualmente validar alguns pontos da delação já não estaria mais sob seu controle.
Isso ocorre porque os registros contábeis e financeiros do Banco Master passaram a ser administrados por um liquidante judicial após a liquidação da instituição financeira, retirando de Vorcaro o acesso direto a esses documentos.
Apesar da resistência observada entre investigadores, a Procuradoria-Geral da República ainda não formalizou uma decisão sobre a nova proposta de colaboração.
Nos bastidores, porém, a aceitação do acordo é considerada o cenário menos provável neste momento.
A avaliação é que apenas a apresentação de informações inéditas, acompanhadas de provas robustas, poderia alterar o entendimento atual da Procuradoria.
Enquanto isso, Daniel Vorcaro permanece preso em cela especial da Polícia Federal.
A PGR não possui prazo legal para se manifestar sobre a proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro.
Atualmente, três caminhos são considerados possíveis:
É a hipótese considerada mais provável pelos investigadores. Nesse cenário, a delação não seria homologada por falta de elementos considerados relevantes ou comprovados.
É vista como a alternativa menos provável. Para isso, Vorcaro precisaria apresentar fatos completamente novos e acompanhados de provas capazes de contribuir significativamente para as investigações.
Outra possibilidade é que a Procuradoria conceda mais tempo para que a defesa complemente a proposta, apresente novos documentos ou ajuste os termos da colaboração.
Na prática, mesmo que a proposta atual seja rejeitada, ele poderá apresentar novas versões futuramente, desde que consiga reunir elementos que despertem interesse dos órgãos de investigação.
Essa estratégia é vista por investigadores como uma tentativa de ganhar tempo enquanto novas descobertas continuam sendo feitas a partir da análise de celulares, documentos e movimentações financeiras relacionadas ao Caso Master.