O Banco de Brasília (BRB) vai ingressar com ações de responsabilidade civil contra ex-administradores citados nas investigações relacionadas ao Caso Master. A informação foi confirmada nesta terça-feira (9) pelo presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
Segundo o executivo, o banco abriu procedimentos internos para apurar a atuação de ex-dirigentes, funcionários e demais pessoas mencionadas em relatórios de investigação e auditorias relacionadas ao caso.
“Abrimos apurações para todos os dirigentes, empregados e qualquer um que foi citado dentro do relatório da Machado Meyer ou de apurações que venham a chegar”, afirmou.
Nelson também confirmou que o BRB irá responsabilizar judicialmente os antigos gestores envolvidos nas operações investigadas.
“Vamos ingressar com ação de responsabilidade civil contra todos os ex-administradores”, declarou.
O presidente do BRB informou que a instituição já adotou medidas judiciais relacionadas ao caso. Na 13ª Vara Cível de Brasília, o banco ajuizou uma ação contra o Banco Master e outros envolvidos, pedindo indenização por supostas irregularidades na venda de carteiras de crédito consideradas de difícil recuperação ou sem lastro financeiro.
Entre os réus da ação estão o Banco Master, o ex-controlador Daniel Vorcaro, João Carlos Mansur, Daniel de Faria Jerônimo Leite, Daniel Monteiro e diversos fundos de investimento apontados nas investigações.
Nelson afirmou ainda que os procedimentos administrativos e judiciais seguem em diferentes esferas.
“Estamos com os processos na Justiça ou em corregedorias, no fórum que cabe a cada um”, disse.
Sobre eventual bloqueio de bens de ex-gestores, o presidente esclareceu que esse tipo de medida não parte diretamente do banco.
“Não somos nós que solicitamos”, afirmou.
Durante a audiência, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), questionou Nelson Antônio de Souza sobre a investigação envolvendo a negociação de seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões.
A suspeita é de que os imóveis tenham sido utilizados como pagamento de propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Segundo Nelson, a apuração desse episódio é conduzida exclusivamente pela Polícia Federal.
“Esse caso é de exclusividade da Polícia Federal”, respondeu.
Durante sua participação no Senado, o presidente do BRB também revelou o tamanho do prejuízo identificado pela atual gestão após a análise das operações realizadas com o Banco Master.
Segundo ele, o rombo estimado chega a R$ 8,8 bilhões.
De acordo com Nelson, uma das principais irregularidades encontradas envolve a chamada carteira Tirreno.
“Foi identificado de imediato que R$ 2,6 bilhões, referentes à carteira Tirreno, não existiam, não tinham lastro nem qualquer respaldo”, declarou.
A carteira está entre os principais focos das investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelos órgãos de controle.
A operação faz parte de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a União, o Banco Central e o próprio BRB.
Segundo Nelson, os recursos serão fundamentais para restaurar o equilíbrio financeiro da instituição e minimizar os impactos das operações consideradas irregulares.
O Caso Master investiga um suposto esquema de fraudes financeiras, venda de ativos sem lastro, ocultação de patrimônio e outras irregularidades envolvendo o Banco Master e seus ex-controladores.
As apurações já resultaram em prisões, bloqueios judiciais, ações de ressarcimento e investigações conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público e Banco Central.
A atual gestão do BRB sustenta que herdou operações que causaram prejuízos bilionários à instituição e busca recuperar os recursos por meio de ações judiciais e acordos financeiros.