
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) reforçou que a vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos continua normalmente em todo o estado, mesmo após a suspensão temporária das doses produzidas pelo Instituto Butantan.
A medida anunciada pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atinge exclusivamente a vacina desenvolvida pelo Butantan, aplicada em profissionais de saúde dentro de um programa específico de imunização.
Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, pais e responsáveis devem continuar procurando as unidades de saúde para garantir a proteção dos filhos contra a doença.
“O medo tem que ser da dengue. Se existe qualquer suspeita de problema relacionado a uma vacina, o sistema de vigilância atua imediatamente para investigar e confirmar ou descartar a relação”, afirmou.
Segundo o Ministério da Saúde, os casos representam uma taxa extremamente rara, equivalente a 0,008% do total de pessoas vacinadas.
Até o momento, não existe comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina. A suspensão faz parte do protocolo de farmacovigilância adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê a interrupção preventiva da aplicação até a conclusão das investigações.
Em Goiás, mais de 10 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas em profissionais da atenção primária desde fevereiro. Apenas um caso suspeito foi registrado no estado. O paciente recebeu atendimento, teve alta hospitalar e se recupera em casa.
Para evitar confusões nas salas de vacinação, a Secretaria Estadual da Saúde orientou todos os municípios goianos a recolher e isolar os lotes da vacina do Butantan.
As doses permanecerão armazenadas em locais separados e identificados até que a investigação nacional seja concluída.
A medida não afeta a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda, que continua disponível normalmente para o público-alvo definido pelo Ministério da Saúde.
Segundo a SES, não há registro de ocorrências graves relacionadas à Qdenga em Goiás.
As autoridades sanitárias orientam que profissionais de saúde vacinados com o imunizante do Butantan nos últimos 21 dias acompanhem possíveis sintomas e procurem atendimento médico caso apresentem sinais compatíveis com dengue ou reações adversas.
Entre os sintomas que exigem atenção estão:
A recomendação é informar ao profissional de saúde que a vacina foi aplicada recentemente para que seja realizado o acompanhamento adequado.
Segundo a SES, pessoas vacinadas há mais de 21 dias não estão dentro da janela considerada de maior monitoramento para eventos adversos relacionados ao imunizante.
A orientação para que pais mantenham a vacinação de crianças e adolescentes ocorre em meio à preocupação das autoridades com os impactos da dengue no estado.
Somente no ano passado, Goiás registrou 122 mortes provocadas pela doença.
Por isso, a Secretaria da Saúde destaca que a Qdenga continua sendo uma importante ferramenta de proteção, especialmente antes do próximo período chuvoso, quando historicamente ocorre aumento na circulação do mosquito Aedes aegypti.
As autoridades reforçam que a suspensão da vacina do Butantan é preventiva, temporária e não altera a estratégia de imunização das crianças e adolescentes que recebem a vacina disponível na rede pública.