O alto comissário de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Volker Türk, pediu nesta quarta-feira (10) que os Estados Unidos revejam suas políticas migratórias durante a realização da Copa do Mundo de 2026. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça, às vésperas do início da competição.
Segundo Türk, as atuais medidas adotadas pelo governo norte-americano levantam preocupações relacionadas aos direitos humanos e à dignidade dos viajantes que participam do evento esportivo.
“Espero sinceramente que haja uma profunda reflexão sobre como a aplicação das leis de imigração está impactando os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente para a Copa do Mundo, haja uma revisão dessas políticas”, afirmou.
A manifestação ocorre em meio a uma série de episódios envolvendo delegações, árbitros e integrantes ligados ao torneio, que têm enfrentado dificuldades para entrar nos Estados Unidos.
Um dos casos que mais repercutiram foi o do árbitro somaliano Omar Abdulkadir Artan. Mesmo portando visto diplomático válido, ele foi impedido de entrar nos Estados Unidos e acabou retornando à Somália após passar mais de 11 horas sendo interrogado por autoridades migratórias.
O episódio gerou críticas de entidades esportivas e de organizações ligadas aos direitos humanos, aumentando o debate sobre as medidas adotadas pelo governo norte-americano durante o evento.
Casos semelhantes também foram registrados com outras delegações que desembarcaram recentemente nos Estados Unidos para compromissos relacionados à Copa do Mundo.
A situação mais delicada envolve o Irã. Em meio ao conflito diplomático e militar com os Estados Unidos, o país chegou a cogitar não participar da competição.
Apesar de confirmar presença no torneio, parte dos integrantes da delegação iraniana teve pedidos de visto negados pelas autoridades norte-americanas.
Diante das restrições, a seleção decidiu estabelecer sua base de hospedagem no México, mesmo disputando os três jogos da fase inicial em território dos Estados Unidos.
As polêmicas aumentam a pressão internacional sobre Washington para garantir condições de acesso e circulação aos participantes da Copa do Mundo, considerada um dos maiores eventos esportivos do planeta.