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Clínica que atende crianças com autismo é alvo de investigação em Goiânia
Unimed Goiânia aponta inconsistências em registros e faturamento de serviços; defesa da clínica nega irregularidades
11/06/2026 17h01
Por: Redação
Foto: Reprodução

Uma clínica que atende crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) está sendo investigada por suspeita de irregularidades na execução dos atendimentos e no faturamento de serviços prestados à Unimed Goiânia. A denúncia foi formalizada pela operadora de saúde junto à Polícia Civil de Goiás, que apura o caso como possível estelionato.

Segundo a cooperativa, auditorias internas identificaram divergências entre os registros dos atendimentos, as listas de frequência dos pacientes e os locais onde os serviços teriam sido efetivamente realizados. A suspeita é de que a clínica tenha recebido pagamentos indevidos ao informar que os atendimentos aconteciam em Santo Antônio de Goiás, alegando insuficiência da rede credenciada no município, quando, na prática, eles estariam sendo realizados em Goiânia.

De acordo com boletim de ocorrência registrado em 3 de junho, a investigação foi motivada por documentos, registros audiovisuais, lançamentos em sistemas e outros elementos que, segundo a Unimed, apontariam indícios de fraude. A Polícia Civil informou que o caso está sob responsabilidade da 4ª Delegacia Distrital de Goiânia.

Auditoria identificou inconsistências

Em entrevista, o diretor de provimento da Unimed Goiânia, Francisco Rebouças, explicou que as suspeitas surgiram durante procedimentos rotineiros de fiscalização da rede prestadora.

Segundo ele, um dos fatores que chamou atenção foi a capacidade física da unidade localizada em Santo Antônio de Goiás. A clínica possui apenas cinco consultórios, mas mantinha cerca de 80 pacientes vinculados à unidade. Durante uma vistoria, foram encontrados indícios de apenas 12 pacientes em atendimento.

Para a operadora, a diferença entre a estrutura disponível e o volume de atendimentos registrados levantou dúvidas sobre a execução dos serviços informados nos sistemas.

“Quando um atendimento é realizado em local diferente daquele autorizado e credenciado, a operadora perde mecanismos importantes de controle e acompanhamento”, afirmou Rebouças.

Ele ressaltou que a preocupação principal não está apenas na questão financeira, mas também na qualidade da assistência prestada às crianças atendidas.

Continuidade do tratamento está garantida

A Unimed Goiânia informou que nenhuma família ficará sem atendimento por causa da investigação. Segundo a cooperativa, os pacientes serão direcionados para sua rede própria especializada em TEA ou para outros prestadores credenciados.

A operadora afirmou ainda que as famílias serão orientadas individualmente para garantir a continuidade dos tratamentos e minimizar impactos na rotina dos pacientes.

Além disso, a Unimed informou que iniciou procedimentos administrativos para encerrar gradualmente o direcionamento de pacientes para a clínica investigada, medida que será adotada após a conclusão das etapas previstas contratualmente.

Defesa nega irregularidades

Por meio de nota, a defesa da clínica negou qualquer prática irregular e afirmou que as acusações apresentadas pela operadora contêm informações consideradas “desconexas, incompletas e incorretas”.

O advogado Alldmur Carneiro declarou que a instituição está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.

A clínica também afirmou que sempre atuou de forma ética e responsável no atendimento aos pacientes e destacou que as alegações ainda dependem de apuração oficial.

“A Clínica confia na correta apuração dos fatos e reafirma seu compromisso com a transparência, a boa-fé e a legalidade de suas atividades”, diz trecho da nota.

A defesa ressaltou ainda que devem ser respeitados os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência durante a investigação.

Investigação segue em andamento

Até o momento, não há decisão judicial nem conclusão das autoridades sobre a existência de fraude. A Polícia Civil segue analisando a documentação apresentada pela operadora e poderá solicitar novas diligências para apurar as suspeitas.

Enquanto isso, a Unimed afirma ter reforçado os mecanismos de fiscalização dos serviços terapêuticos prestados por sua rede credenciada, especialmente aqueles voltados ao atendimento de crianças com TEA.