Os Estados Unidos divulgaram nesta quinta-feira (11) imagens de um ataque contra um petroleiro no Golfo de Omã e afirmaram que a embarcação transportava petróleo iraniano em violação ao bloqueio militar imposto por Washington ao país.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), o alvo foi o navio M/T Jalveer, de bandeira da Guiné-Bissau. De acordo com os militares norte-americanos, a embarcação teria ignorado diversas ordens para interromper a navegação. Como resposta, uma aeronave dos EUA disparou dois mísseis Hellfire contra a casa de máquinas do navio.
O Pentágono informou que esta foi a terceira embarcação interceptada na região apenas nesta semana. Desde abril, os Estados Unidos afirmam ter desativado nove navios e redirecionado outros 135 que tentavam acessar portos iranianos.
O CENTCOM também confirmou ataques recentes contra os navios M/T Marivex e M/T Settebello, ambos registrados em Palau.
No caso do Settebello, três marinheiros indianos morreram após a ofensiva. O governo da Índia protestou formalmente contra os ataques e informou que atualmente 13 embarcações indianas permanecem retidas na região do Estreito de Ormuz, com mais de 560 tripulantes a bordo.
A resposta iraniana veio poucas horas depois. O governo de Teerã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado, alegando que os novos bombardeios norte-americanos tornam praticamente inviável a manutenção do cessar-fogo que vinha sendo observado desde abril.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques como uma violação grave do direito internacional e responsabilizou os Estados Unidos pelas consequências da escalada militar.
"O cessar-fogo torna-se praticamente sem sentido diante dessas ações", afirmou o governo iraniano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que conversou com autoridades iranianas e afirmou que o país teria pedido o fim dos bombardeios. Teerã negou qualquer contato.
Já a Guarda Revolucionária do Irã informou ter realizado ataques de retaliação contra instalações militares americanas na região do Golfo. Segundo os iranianos, bases dos Estados Unidos no Bahrein teriam sido atingidas em duas operações distintas.
As informações sobre os danos ainda não foram confirmadas de forma independente.
Os ataques desta quinta-feira representam o segundo dia consecutivo de bombardeios americanos contra o Irã desde o início do cessar-fogo firmado em abril.
A nova escalada ocorre após Washington afirmar que um helicóptero Apache dos Estados Unidos foi derrubado por forças iranianas no Estreito de Ormuz. O governo americano classificou o episódio como justificativa para a retomada das ações militares.
Agências iranianas relataram explosões em cidades portuárias estratégicas, como Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik. Também houve ativação dos sistemas de defesa aérea em Isfahan.
Com o fechamento do Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo — cresce a preocupação internacional com possíveis impactos no abastecimento energético e na estabilidade da região do Oriente Médio.