O mercado brasileiro de milho encerrou a terça-feira (09/06) com pouca movimentação e preços praticamente estáveis. A combinação entre compradores cautelosos, oferta considerada confortável e a expectativa pelo avanço da colheita da segunda safra manteve o setor em compasso de espera.
De acordo com a consultoria TF Agroeconômica, a leve variação do dólar e a estabilidade observada tanto na bolsa brasileira quanto no mercado internacional contribuíram para um dia sem grandes oscilações nos negócios.
Na B3, os contratos futuros fecharam com comportamento misto, mas sem mudanças expressivas.
O contrato com vencimento em julho de 2026 encerrou o dia cotado a R$ 65,26 por saca, com queda de R$ 0,20. No acumulado da semana, porém, registra valorização de R$ 0,67.
Já o vencimento de setembro de 2026 fechou em R$ 67,46, com leve alta de R$ 0,01 no dia e avanço semanal de R$ 0,50.
O contrato para novembro de 2026 terminou cotado a R$ 70,63 por saca, recuo de R$ 0,13 na sessão, mas ainda acumulando ganho de R$ 0,13 na semana.
No Rio Grande do Sul, a colheita está praticamente concluída, alcançando 98% da área cultivada. Mesmo assim, o mercado segue firme.
As negociações continuam pontuais, com baixa liquidez e compradores já abastecidos. As cotações variam entre R$ 57,00 e R$ 69,00 por saca, enquanto a média estadual alcançou R$ 59,27, alta de 0,87% na semana.
Segundo analistas, ainda restam principalmente áreas de agricultura familiar e lavouras plantadas mais tarde.
Em Santa Catarina, o mercado segue travado pela diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores ofertados pelos compradores.
As indicações permanecem próximas de R$ 65,00 por saca, enquanto a demanda gira em torno de R$ 60,00. No Planalto Norte, os negócios são registrados entre R$ 60,00 e R$ 65,00.
No Paraná, a expectativa de aumento da oferta com a chegada da safrinha também limita novas negociações. As indicações estão próximas de R$ 65,00 por saca, enquanto compradores trabalham com valores ao redor de R$ 60,00 CIF.
Além da proximidade da colheita, a queda das cotações internacionais e a menor competitividade das exportações pressionam o mercado interno.
Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 51,38 e R$ 52,50 por saca.
A comercialização permanece lenta, embora a demanda do setor de bioenergia continue absorvendo parte da produção e ajudando a sustentar os preços.
Por outro lado, estoques elevados e a cautela dos compradores dificultam uma recuperação mais consistente do mercado.
Produtores também acompanham os impactos do déficit hídrico registrado em áreas do sudoeste do estado. A falta de chuva já compromete parte do potencial produtivo da segunda safra e mantém a atenção voltada para os resultados finais da colheita.
A expectativa do setor segue concentrada no avanço da safrinha, principal responsável pelo abastecimento nacional de milho.
Enquanto a oferta continua aumentando gradualmente, compradores evitam aquisições mais agressivas e aguardam uma definição mais clara sobre o volume final da produção e o comportamento dos preços nas próximas semanas.
Com isso, o mercado deve permanecer operando com cautela, acompanhando o ritmo da colheita, as condições climáticas e o cenário internacional.