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Jovem morre após salto sem corda de segurança em São Paulo
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, caiu de cerca de 40 metros durante prática de rope jump; três funcionários tiveram prisão convertida em preventiva
15/06/2026 15h35 Atualizada há 3 horas
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A morte de uma jovem durante uma atividade de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, provocou grande repercussão e levantou questionamentos sobre a segurança e a regularidade da operação responsável pelo salto. Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser lançada de uma altura aproximada de 40 metros sem estar conectada à corda principal de segurança.

O acidente aconteceu na manhã de sábado (13), na conhecida Ponte do Esqueleto. Imagens registradas por pessoas que estavam no local mostram o momento em que a jovem é conduzida até a plataforma e lançada da estrutura. Segundos depois, testemunhas percebem que ela não estava presa ao equipamento de segurança e começam a gritar alertando sobre a ausência da corda.

Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas a morte foi constatada ainda no local. Segundo a perícia, a vítima sofreu múltiplos traumatismos em decorrência da queda.

Empresa não possuía autorização

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), órgão responsável pela área onde fica a Ponte do Esqueleto, informou que nenhuma autorização havia sido concedida para a realização de atividades esportivas no local.

Segundo o órgão, a estrutura integra um trecho da antiga Rede Ferroviária Federal e passou a integrar oficialmente o patrimônio da União em 2026. A SPU afirmou ainda que, desde 2024, vinha solicitando apoio das prefeituras da região para restringir o acesso à ponte devido aos riscos existentes.

Em nota, o órgão informou que considera necessária uma atuação conjunta entre os órgãos públicos para impedir o acesso ao local e evitar a realização de atividades consideradas irregulares.

Prisões e investigação

Após o acidente, seis pessoas chegaram a ser detidas durante a ocorrência. Segundo a Polícia Militar, dois suspeitos tentaram fugir por uma área de mata e foram localizados com auxílio do helicóptero Águia.

Posteriormente, três funcionários ligados à operação tiveram a prisão convertida em preventiva pela Justiça de São Paulo. Na decisão, o Judiciário apontou indícios de negligência na condução da atividade.

As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil, que apura possíveis crimes relacionados à morte da jovem.

Câmera desapareceu após a queda

Outro ponto que passou a ser investigado é o desaparecimento da câmera utilizada para gravar o salto.

Maria Eduarda havia contratado o serviço de filmagem oferecido pela equipe organizadora. Segundo testemunhas, a gravação custava R$ 110 adicionais ao valor do salto, que era de R$ 180.

O pedagogo Rafael Goulart, que estava no local, relatou ter visto um integrante da equipe retirar a câmera presa ao corpo da vítima logo após o acidente.

A delegada responsável pelo caso, Andrea Danta Levy, confirmou que o equipamento não foi encontrado durante a perícia realizada no local.

"A câmera pertencia à equipe e estava com a vítima. Fizemos diligências e ela não foi localizada. Ninguém soube informar onde está o equipamento", afirmou a delegada.

O desaparecimento do material é considerado relevante para a investigação, já que as imagens poderiam registrar os momentos que antecederam o acidente.

Testemunhas apontam falha no procedimento

Uma enfermeira que aguardava para realizar o salto e prestou os primeiros socorros à vítima relatou à polícia que Maria Eduarda estava usando parte dos equipamentos de proteção, mas não estava conectada à corda principal responsável por sustentar a queda.

Segundo ela, a jovem utilizava um equipamento preso à região abdominal, porém sem a conexão necessária ao sistema de segurança da atividade.

A principal linha de investigação trabalha com a hipótese de erro operacional durante a preparação do salto.

Diferença entre rope jump e bungee jump

Embora os termos sejam frequentemente confundidos, a atividade praticada por Maria Eduarda era o rope jump, modalidade diferente do tradicional bungee jump.

No rope jump, o participante é preso a cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda realiza um movimento semelhante ao de um pêndulo.

Já no bungee jump, a corda é elástica e provoca sucessivos movimentos de subida e descida após o salto.

Comoção e despedida

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas foi velada na manhã de domingo (14), no Cemitério Municipal de Jandira, na Região Metropolitana de São Paulo.

O caso gerou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre fiscalização, segurança e regulamentação de atividades de aventura realizadas em estruturas sem autorização oficial.

A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e analisando os elementos reunidos para definir as responsabilidades pelo acidente.