Uma série de ataques cibernéticos contra contas bancárias de prefeituras tem gerado preocupação entre gestores municipais em Goiás. Nos últimos meses, criminosos conseguiram invadir sistemas financeiros de administrações públicas e desviar milhões de reais destinados a obras, investimentos e serviços essenciais.
A situação levou a Associação Goiana dos Municípios (AGM) a intensificar o acompanhamento dos casos e mobilizar prefeitos em busca da recuperação dos recursos e do reforço nos mecanismos de segurança bancária.
Segundo a entidade, os ataques têm ocorrido diretamente nas contas das prefeituras, por meio de invasões aos sistemas utilizados para movimentação financeira. Após obter acesso às contas, os criminosos realizam transferências para diversas contas bancárias, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Um dos casos que mais chamou atenção ocorreu no município de Nazário, na região Central de Goiás.
De acordo com o prefeito João Batista Carvalho, conhecido como Ferruja, cerca de R$ 2,8 milhões foram desviados das contas do Tesouro Municipal durante um ataque registrado no ano passado.
Segundo o gestor, a prefeitura registrou ocorrências junto à Polícia Civil, Polícia Federal e também ingressou com medidas judiciais para tentar recuperar os recursos.
“Fizemos uma ocorrência na delegacia, mas até hoje seguimos sem uma solução definitiva para esse caso. Não tivemos providências. Por isso, estamos fazendo uma movimentação junto aos órgãos responsáveis para o ressarcimento desse valor”, afirmou.
A AGM chegou a visitar o município para acompanhar de perto a situação e avaliar os impactos causados pelo ataque.
Outro município afetado foi Caçu, no Sudoeste goiano.
Segundo a prefeitura, os hackers conseguiram transferir mais de R$ 3 milhões das contas públicas. O desvio foi identificado durante uma conferência financeira realizada por servidores municipais.
Ao perceberem que os saldos disponíveis eram menores do que os registrados, os funcionários comunicaram imediatamente a instituição financeira responsável pelas contas.
A ação permitiu o bloqueio de aproximadamente R$ 600 mil que ainda não haviam sido movimentados pelos criminosos. No entanto, a maior parte dos recursos continua desaparecida.
As investigações apontam que o dinheiro foi pulverizado em diversas contas bancárias para dificultar a localização dos valores.
Em Santa Rita do Araguaia, no Sul do estado, o prejuízo também ultrapassou R$ 1 milhão.
Segundo o prefeito Carlos Tadeu Rocha, mais de R$ 800 mil retirados pelos criminosos pertenciam a uma conta vinculada ao Ministério da Saúde e seriam utilizados na construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
“Sofremos um ataque que nos prejudicou em mais de R$ 1 milhão. Desse valor, mais de R$ 800 mil foi retirado de uma conta destinada à construção de uma UBS na cidade. Os municípios já vivem com o pires na mão, agora ainda temos que passar por uma dessa”, lamentou o gestor.
Diante da sequência de ataques, a Associação Goiana dos Municípios tem articulado ações junto a órgãos federais e instituições financeiras.
O presidente da entidade e prefeito de Hidrolândia, Zé Délio Jr., informou que a AGM está prestando apoio jurídico aos municípios afetados e orientando os gestores a monitorarem constantemente as movimentações financeiras das prefeituras.
“Nosso jurídico está tomando todas as medidas necessárias. Pedimos que os prefeitos confiram suas contas e, diante de qualquer movimentação suspeita, procurem imediatamente a AGM”, afirmou.
Segundo ele, representantes dos municípios afetados também participaram de reuniões na Caixa Econômica Federal, em Brasília, para discutir alternativas que possibilitem a recuperação dos recursos desviados.
A Polícia Civil de Goiás conduz as investigações dos casos registrados no estado. No entanto, devido ao envolvimento de recursos públicos federais e de instituições financeiras ligadas à União, existe a possibilidade de parte das apurações ser assumida pela Polícia Federal.
Até o momento, não há informações sobre prisões relacionadas aos ataques.
Enquanto aguardam respostas das autoridades, prefeitos alertam que a perda dos recursos pode comprometer obras, investimentos e programas importantes para a população.
Além dos prejuízos financeiros, os gestores defendem que os episódios evidenciam a necessidade de reforço nos sistemas de segurança digital utilizados pelas administrações públicas e pelas instituições bancárias responsáveis pela guarda dos recursos municipais.