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PF aponta que Daniel Vorcaro bancou viagens, hotéis de luxo e despesas pessoais de Ciro Nogueira
Relatório da Polícia Federal detalha gastos com jatinhos, hospedagens, restaurantes e compras durante viagens internacionais do senador
16/06/2026 17h22
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Um relatório da Polícia Federal divulgado nesta terça-feira (16) aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, custeou uma série de despesas pessoais do senador Ciro Nogueira (PP-PI), incluindo viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo, refeições em restaurantes de alto padrão e até compras de roupas.

Segundo os investigadores, os benefícios oferecidos ao parlamentar ultrapassariam uma relação de amizade e fariam parte de uma estrutura de favorecimentos que está sendo apurada pela corporação.

De acordo com a PF, as vantagens concedidas por Vorcaro teriam caráter “funcional e instrumental”, associadas à convergência de interesses entre o banqueiro e o senador.

Gastos superam meio milhão de reais

O relatório aponta que o valor total das despesas pagas por Vorcaro em benefício de Ciro Nogueira ainda está sendo calculado, mas já ultrapassaria R$ 500 mil em uma estimativa considerada conservadora pelos investigadores.

Entre os gastos listados estão viagens em jatos particulares, hospedagens em hotéis de luxo, refeições em restaurantes renomados e outras despesas pessoais realizadas durante compromissos internacionais.

“A quantia supera com facilidade R$ 500 mil”, destaca a Polícia Federal no documento.

Hotel de luxo em Nova York

Um dos episódios citados envolve a hospedagem de Ciro Nogueira no Hotel Park Hyatt, em Nova York.

Segundo a investigação, Vorcaro teria custeado uma suíte Royal para o senador durante uma viagem aos Estados Unidos.

O valor da hospedagem chegou a US$ 47,7 mil, o equivalente a cerca de R$ 242 mil na cotação atual.

Jantares em restaurantes sofisticados

A PF também identificou mensagens em que Daniel Vorcaro organiza o pagamento de refeições em restaurantes de alto padrão na França.

Em uma conversa interceptada, um representante do restaurante Gigi informa ao banqueiro que estava à disposição para cuidar da conta e garantir atendimento especial ao convidado.

Vorcaro responde apenas que o principal convidado seria Ciro Nogueira.

A conta do jantar chegou a US$ 1.981, cerca de R$ 10 mil.

Viagem de luxo nos Alpes Franceses

Outro trecho do relatório detalha uma viagem realizada por Ciro Nogueira e Flávia Roberta Rosalen para a estação de esqui de Courchevel, nos Alpes Franceses.

Segundo a Polícia Federal, os custos da viagem ultrapassaram R$ 1,8 milhão.

Somente em restaurantes da região, as despesas teriam alcançado valores elevados. Em um dos estabelecimentos, a conta chegou a R$ 63,6 mil. Em outro restaurante, o valor pago por Vorcaro foi de R$ 58,1 mil.

A investigação também aponta que o banqueiro custeou a participação do senador em um evento realizado em Lisboa, Portugal, com despesas de aproximadamente R$ 91 mil.

PF investiga possível troca de favores

Os investigadores sustentam que os pagamentos não se limitavam a gestos de amizade e podem indicar uma relação construída para obtenção de vantagens políticas.

O relatório integra um conjunto maior de apurações envolvendo Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras, influência política e atuação de estruturas paralelas ligadas ao grupo empresarial.

Até o momento, as investigações seguem em andamento e os valores efetivamente movimentados ainda estão sendo analisados pela Polícia Federal.

Irmã de investigado afirmou possuir material contra família Vorcaro

Outro trecho dos documentos divulgados pela Polícia Federal revela que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, afirmou possuir arquivos e documentos capazes de comprometer a família Vorcaro.

Segundo a investigação, após a prisão e a morte de Luiz Phillipi em uma carceragem da Polícia Federal, familiares passaram a enfrentar dificuldades financeiras e iniciaram cobranças contra pessoas ligadas ao banqueiro.

Mensagens interceptadas mostram Joana afirmando possuir material suficiente para “acabar com a família inteira” e ameaçando divulgar informações publicamente.

A PF identificou ainda movimentações envolvendo intermediários ligados à família Vorcaro que buscavam negociar soluções financeiras para os parentes de Luiz Phillipi.

As informações também fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura a existência de uma suposta estrutura voltada à proteção de interesses econômicos e à intimidação de adversários do grupo investigado.

As investigações continuam sob acompanhamento da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.