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Trump diz que acordo com Irã não é definitivo e ameaça voltar a bombardear o país
Presidente dos Estados Unidos afirma que memorando assinado entre Washington e Teerã é apenas um acordo preliminar e condiciona avanços ao comportamento do regime iraniano
17/06/2026 18h16
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17) que o memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã para interromper a guerra no Oriente Médio ainda não representa um acordo definitivo de paz. A declaração foi feita durante a Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França.

Ao comentar o documento assinado pelos dois países, Trump afirmou que os Estados Unidos poderão retomar as ações militares caso considerem que o Irã não esteja cumprindo os compromissos assumidos.

“É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear”, declarou o presidente americano.

Trump também afirmou que o texto não prevê o fim imediato das sanções econômicas impostas ao Irã. Segundo ele, o tema ainda será debatido durante as negociações para um acordo definitivo.

Acordo prevê cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz

O memorando estabelece um cessar-fogo imediato entre Estados Unidos e Irã, além do compromisso de não iniciar novos conflitos. O texto também inclui medidas para reduzir tensões em outras frentes da guerra, como o conflito envolvendo o Hezbollah no Líbano.

Entre os principais pontos está a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. O Irã se comprometeu a restabelecer a navegação comercial no local em até 30 dias.

O acordo também prevê a retirada gradual de forças militares americanas da região, a liberação de ativos iranianos bloqueados e a retomada das exportações de petróleo do país.

Outro ponto importante trata do programa nuclear iraniano. Teerã reafirma que não pretende desenvolver armas nucleares, mas as regras para enriquecimento de urânio ainda serão negociadas nos próximos 60 dias.

Guerra ainda depende de negociações finais

Apesar do anúncio do cessar-fogo, diversas questões permanecem sem definição. O destino do estoque de urânio enriquecido pelo Irã, por exemplo, será tratado em uma nova rodada de negociações.

O memorando estabelece que Estados Unidos e Irã terão até 60 dias para construir um acordo definitivo, que posteriormente deverá ser submetido ao Conselho de Segurança da ONU.

Enquanto isso, ambas as partes concordaram em manter o atual status quo, sem novas sanções americanas e sem ampliação das atividades nucleares iranianas.

Trump rouba a cena no G7

Ainda durante a cúpula do G7, Trump protagonizou um momento descontraído ao entrar na reunião dos líderes mundiais.

Ao chegar à sala onde estavam reunidos chefes de Estado e de governo, o presidente americano brincou com os presentes e afirmou: “Eu sou o chefe”.

A declaração arrancou risadas de alguns líderes, entre eles o chanceler alemão Friedrich Merz. O presidente francês Emmanuel Macron, anfitrião do encontro, também participou da cena.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou a reunião, mas não interagiu com Trump naquele momento. Os dois líderes tiveram apenas contatos breves durante a programação do G7, sem reuniões bilaterais oficiais.