Os preços do cacau voltaram a subir no mercado internacional e atingiram nesta quarta-feira (17) o maior patamar das últimas três semanas. A valorização é impulsionada pelo temor de que a chegada de um forte fenômeno El Niño prejudique a produção global nas próximas safras.
Analistas do setor acompanham com preocupação os impactos climáticos sobre as principais regiões produtoras do mundo, especialmente na África Ocidental, responsável por grande parte da oferta global do produto.
O contrato do cacau negociado em Londres encerrou o dia praticamente estável, com leve alta de 0,1%, cotado a 3.161 libras por tonelada. Durante a sessão, porém, chegou a atingir 3.257 libras, o maior valor desde o fim de maio.
Já o contrato negociado em Nova York também avançou 0,1%, fechando a US$ 4.237 por tonelada.
O principal fator de sustentação dos preços é a previsão de um possível El Niño de forte intensidade nos próximos anos. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 63% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, ou até mesmo um “super El Niño”, em 2027.
Caso a projeção se confirme, o evento climático poderá ser um dos mais intensos registrados desde o início da série histórica da agência, em 1950.
Além das previsões climáticas, o mercado também acompanha sinais de enfraquecimento da próxima safra na Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau.
A corretora StoneX informou que analistas já começaram a reduzir as estimativas de produção após levantamentos de campo apontarem falta de recuperação significativa na formação das vagens de cacau.
A preocupação se estende também ao Equador, terceiro maior produtor global, que pode sofrer impactos climáticos semelhantes caso o fenômeno ganhe força.
Com a possibilidade de redução da oferta mundial nos próximos ciclos, investidores passaram a reforçar posições no mercado, impulsionando as cotações.
A expectativa é que novas atualizações climáticas e relatórios de safra continuem influenciando o comportamento dos preços nas próximas semanas, principalmente diante da importância da África Ocidental para o abastecimento global de cacau.
O cenário mantém o mercado em alerta e aumenta a perspectiva de volatilidade para uma das commodities mais importantes da indústria de chocolates e alimentos.