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Pais da bebê desaparecida são indiciados por abandono de incapaz
Polícia conclui que criança de 2 anos ficou sozinha antes de desaparecer em fazenda de Doverlândia; menina foi encontrada morta após quase três dias de buscas
18/06/2026 15h37
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Goiás informou nesta quinta-feira (18) que os pais de Maria Fernanda Cândido da Rocha, de 2 anos, serão indiciados por abandono de incapaz. A conclusão ocorre após o encerramento das investigações sobre o desaparecimento da menina, encontrada morta às margens do Rio Paraíso, em Doverlândia, no oeste goiano, depois de quase três dias de buscas.

Segundo a investigação, a criança foi deixada sozinha na residência da família enquanto os pais estavam em uma represa localizada a cerca de 100 metros da casa. Quando retornaram, não encontraram mais a menina.

A Polícia Técnico-Científica apontou que Maria Fernanda morreu em decorrência de hipotermia associada à desidratação, seguida de afogamento atípico, situação em que não há presença significativa de água nos pulmões. A estimativa é de que a morte tenha ocorrido cerca de 24 horas antes da localização do corpo.

Criança desapareceu após ficar sozinha em casa

Maria Fernanda desapareceu na manhã de segunda-feira (15), na Fazenda Vale do Paraíso, onde os pais trabalhavam como caseiros. A propriedade fica em uma área rural de difícil acesso, a cerca de 22 quilômetros do município de Doverlândia.

De acordo com os relatos prestados à polícia, os pais estavam em uma represa próxima quando ouviram um grito da criança. Ao retornarem para a residência, ela já não estava mais no local.

O desaparecimento mobilizou uma grande força-tarefa envolvendo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Conselho Tutelar, equipes do Graer, mergulhadores, drones com câmera térmica, cães farejadores e dezenas de voluntários.

Durante as buscas, foram encontradas pegadas da criança, além de uma fralda e uma peça de roupa que ela utilizava no dia do desaparecimento. Os vestígios ajudaram as equipes a direcionar os trabalhos até as margens do Rio Paraíso, onde o corpo foi localizado na quarta-feira (17), justamente no dia em que Maria Fernanda completaria dois anos de idade.

Perícia descarta sinais de violência

Durante coletiva de imprensa, a perita médica Rafaella Marques informou que não foram encontrados indícios de agressão física ou violência sexual.

Segundo ela, o corpo apresentava apenas pequenos arranhões superficiais compatíveis com o deslocamento por áreas de vegetação e terreno irregular.

"Não havia nenhum tipo de sangramento, fratura ou lesão traumática que pudesse estar associada ao óbito", explicou a perita.

Os exames complementares ainda estão em andamento para confirmar a causa definitiva da morte, mas a principal hipótese é que a menina tenha sofrido uma combinação de desidratação severa e hipotermia após passar horas sozinha na mata durante noites de temperaturas baixas na região.

Vídeo reforçou linha de investigação

O delegado Ramon Queiroz afirmou que um vídeo gravado anteriormente pelo pai da criança mostrou que Maria Fernanda tinha o costume de caminhar pela propriedade rural e já demonstrava facilidade para se deslocar pelo terreno.

Segundo o investigador, isso ajudou a explicar como a menina conseguiu percorrer uma distância superior a dois quilômetros até o local onde foi encontrada.

"A complexidade de uma criança andar dois quilômetros causa estranheza, mas os vídeos mostram que ela estava habituada àquele ambiente e tinha facilidade para caminhar pela fazenda", afirmou.

Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil entendeu que houve abandono momentâneo da criança, situação prevista no Código Penal. O delegado ressaltou, porém, o impacto da tragédia para a família.

"A maior responsabilização que esses pais poderiam sofrer eles já sofreram, que foi a perda da única filha justamente no dia em que ela completava dois anos", declarou.

O caso segue em fase final de perícias e os pais deverão responder pelo crime de abandono de incapaz.