A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), provocou forte repercussão política e abriu uma nova frente de confronto entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do governo Lula.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que o "PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal", em referência à operação que tem como alvo principal o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
A ação investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro relacionadas ao Banco Master e a empresários ligados ao grupo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante um evento em São Paulo para apresentar diretrizes de seu plano de segurança pública, chamado "Brasil sem Medo", Flávio afirmou que a operação reforça o combate à impunidade.
"O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida", declarou o senador.
O evento contou com a participação do deputado federal Guilherme Derrite e do senador Sergio Moro, ambos apontados como possíveis candidatos em futuras disputas eleitorais.
Flávio também aproveitou o encontro para defender propostas voltadas ao endurecimento do combate ao crime organizado, incluindo a redução da maioridade penal para 16 anos, ampliação dos presídios de segurança máxima e a adoção da chamada castração química para condenados por crimes sexuais.
Segundo a investigação, a Polícia Federal apura se Jaques Wagner teria atuado em favor de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional.
Em contrapartida, os investigadores suspeitam que o senador possa ter recebido benefícios que incluem um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, além de outras vantagens que, segundo a apuração, ultrapassariam R$ 3 milhões.
A operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Também foram autorizadas medidas cautelares, como suspensão de passaportes e restrições de contato entre investigados.
A declaração de Flávio Bolsonaro gerou reação imediata do deputado federal Lindbergh Farias, vice-líder do governo no Congresso.
Em publicação nas redes sociais, Lindbergh afirmou que a operação demonstra a independência da Polícia Federal durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Não existe blindagem, investigação seletiva ou perseguição política. No governo Lula, a Polícia Federal tem autonomia para investigar qualquer pessoa", escreveu.
O parlamentar também comparou a atuação da corporação nos governos Lula e Bolsonaro e questionou Flávio sobre recursos que teriam sido destinados à produção do filme "Dark Horse", obra inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, não há denúncia formal nem condenação contra Jaques Wagner relacionada aos fatos investigados nesta fase da Operação Compliance Zero.
A defesa do senador nega irregularidades e afirma que os esclarecimentos serão prestados durante o andamento das investigações. A Polícia Federal continua analisando os materiais apreendidos para aprofundar as apurações e verificar a eventual existência de crimes.