Campo MERCADO DE GRÃOS
Soja avança, feijão recua e milho fica estável
Mercado agrícola segue dividido: demanda impulsiona soja, feijão perde força com consumo menor e milho opera com cautela diante da expectativa de maior oferta.
19/06/2026 08h45
Por: Redação

Soja mantém ritmo forte, feijão recua e milho segue estável no mercado brasileiro

O mercado agrícola brasileiro apresenta cenários distintos para as principais commodities. Enquanto a soja continua registrando negociações aquecidas, impulsionadas pela demanda interna e externa, o feijão enfrenta queda nos preços devido ao enfraquecimento das compras. Já o milho segue operando com estabilidade e baixa liquidez, refletindo a expectativa de aumento da oferta nos próximos meses.

Soja ganha competitividade e produção global deve bater recorde

As negociações de soja seguem em ritmo intenso no Brasil. Segundo pesquisadores do Cepea, a combinação entre demanda internacional firme e maior procura das indústrias nacionais tem sustentado os negócios.

Outro fator que favorece o mercado é a valorização da competitividade brasileira no exterior. A recente desvalorização do real frente ao dólar tornou a soja nacional mais atrativa para compradores internacionais, fortalecendo as exportações.

Apesar disso, a ampla oferta mundial continua limitando altas mais expressivas nos preços.

O cenário global reforça essa tendência. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou sua projeção para a safra mundial de soja 2025/26, estimando produção recorde de 429,2 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao previsto anteriormente.

O Brasil deve permanecer como maior produtor mundial, com expectativa de colher 180 milhões de toneladas, número próximo à estimativa da Conab, de 180,25 milhões. Já a Argentina teve sua projeção revisada para 50 milhões de toneladas.

Além da liderança na produção, o Brasil deve continuar como principal exportador global da commodity. O USDA projeta embarques de 115 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Feijão perde força com demanda enfraquecida

No mercado de feijão, o cenário é oposto. A redução das compras por parte de atacadistas e varejistas continua pressionando os preços e diminuindo a liquidez das negociações.

Com a indústria focada no escoamento dos estoques e menor interesse dos compradores, os preços dos feijões carioca e preto registraram novas quedas.

No noroeste de Minas Gerais, o feijão carioca de melhor qualidade foi cotado a R$ 392,80 por saca de 60 quilos, recuo de 8,29% em uma semana. Já no sul do Paraná, o feijão-preto fechou a R$ 201,18 por saca, queda semanal de 9,11%.

Enquanto isso, a colheita segue avançando no Paraná, embora ainda enfrente desafios provocados pelas condições climáticas.

Milho opera com cautela e baixa liquidez

O mercado de milho encerrou o dia com estabilidade e leves oscilações nos contratos futuros. Segundo a TF Agroeconômica, a forte alta do dólar não foi suficiente para impulsionar os preços, em um ambiente marcado pela baixa liquidez e expectativa de maior oferta.

Os contratos futuros fecharam mistos. O vencimento para julho de 2026 terminou em R$ 63,98 por saca, enquanto setembro fechou em R$ 67,10 e novembro em R$ 70,49.

No mercado físico, a colheita avança em diversas regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, os trabalhos já alcançam 99% da área cultivada, com preços variando entre R$ 57 e R$ 63 por saca.

Em Santa Catarina e no Paraná, compradores seguem cautelosos, o que mantém os negócios limitados. Já em Mato Grosso do Sul, a entrada gradual da segunda safra continua pressionando as cotações, que variam entre R$ 49 e R$ 52 por saca.

Apesar do suporte oferecido pela demanda do setor de bioenergia, os estoques elevados e a expectativa de aumento da oferta seguem impedindo uma recuperação mais consistente dos preços do cereal.

Mercado acompanha cenário global

Além dos fatores internos, o setor acompanha os desdobramentos internacionais, especialmente após o acordo provisório de paz entre Estados Unidos e Irã. O país do Oriente Médio é um importante comprador de milho e carne de frango brasileiros, o que mantém o mercado atento aos possíveis impactos sobre o comércio agrícola global.

Com isso, a soja continua sendo o destaque positivo entre as commodities, enquanto feijão e milho seguem enfrentando desafios relacionados à demanda e ao aumento da oferta.